<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-7888604696228809116</id><updated>2011-12-03T18:35:12.817-08:00</updated><category term='preconceito'/><category term='banalização'/><category term='Sartre'/><category term='Ghiraldelli'/><category term='simplismo'/><category term='depressão e filosofia'/><category term='moralismo'/><title type='text'>Ninho de Sentidos</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://ninhodesentidos.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7888604696228809116/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ninhodesentidos.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Achilles Delari Junior</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00363322332993826154</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_mCNX4vGC2uc/Sx8y7-srPgI/AAAAAAAAAHM/CzCo559bAhQ/S220/Nova+Imagem.png'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>30</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7888604696228809116.post-2313947128418120134</id><published>2009-01-30T14:57:00.000-08:00</published><updated>2009-03-07T13:18:36.793-08:00</updated><title type='text'>Você não acredita no inconsciente?</title><content type='html'>A Tribuna do Povo, Umuarama, sábado, 31 de janeiro de 2009.&lt;br /&gt;Espaço do Leitor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[&lt;a href="http://www.4shared.com/file/83321217/73e4b57a/Voce_no_acredita_no_inconsciente_-_artigo_de_opinio_-_por_Delari.html"&gt;versão em pdf&lt;/a&gt;]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em 25 de janeiro, publiquei aqui uma crítica ao dito falacioso “Freud explica”. Bastante difundido no senso comum e bem adequado à “caricatura do humorista”, à “má fé do ideólogo” e à “credulidade do ingênuo”. Dialogando com leitores sobre o tema, recordei-me de uma pergunta tão instigante quanto tal jargão: “você não acredita no inconsciente?”. Ela me foi feita, em sessão, em épocas diferentes, por duas psicoterapeutas das quais fui cliente, ora no serviço privado, ora no público. Digo ser inusitada a pergunta por o verbo “acreditar” estar geralmente reservado para: (a) algo mais elevado, objeto de fé e devoção – por exemplo: “você não acredita em Deus?”; ou (b) algo mais fictício, objeto de credulidade e superstição – como: “você não acredita em disco voador?”, “você não acredita em contos de fadas?”, “você não acredita em capitalismo justo?”. Por não supor ser o inconsciente uma divindade ou criação ficcional, nunca cogitei “acreditar” nele. Fosse um fato comprovado ou uma experiência concreta pessoal, eu poderia “conhecer” ou não. Sendo uma hipótese abstrata ou uma formulação teórica, poderia “concordar” ou não. Mas “acreditar” no inconsciente?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por que falo disso? Porque, como apontei no outro texto, às vezes, a sociedade toma como verdade hipóteses dúbias ou imprecisas. Acata como objeto de fé mitos sobre a condição humana que têm valor como tais, mas que tomados por dogmas podem gerar imposturas na interpretação sobre o que seja nossa vida. Simplificando-a, banalizando-a, fechando-a em modos monológicos de conceber as relações sociais, suas possibilidades e limitações. Como dizendo que: “a origem de toda a subjetividade é a interdição cultural de uma energia originária, algures dita sexual”. Faço notar que um leitor crítico me sugeriu que tal “energia” deixou de ser chamada sexual, nos últimos escritos do mago de Viena. Mesmo que nenhum outro nome a ela se tenha dado, e ainda que muitos dos adeptos da causa freudiana insistam em manter a lenda dominante de toda “energia” psíquica ser sexual (libidinal). Em breve talvez se diga que nem de “energia” se trata, mas também de algo anônimo: uma função “ƒ”. Tornando tal discurso algo mais “algébrico”. E isso importa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só importa caso admitamos que eventos do cotidiano, como uma pergunta tola, tenham implicações na nossa visão geral sobre as coisas, como o entendimento sobre “quem somos nós”. E que reflexões gerais, como as psicológicas, tenham conseqüências para nossa vida, como quando uma ação terapêutica se guia por ela. Um desinformado, ao ouvir o clichê “Freud explica”, pode ter impressão de que nisto haja fundamento real ou prático, além da piada na roda de amigos. Ou pensar que a “explicação” do pensador valha para si. Se for curioso, pode perguntar: “mas de que modo explica, afinal?”. Assim, a quem tenha lido tal escritor cabe, ao menos, alertar sobre contradições implícitas, recriadas e ampliadas por muitos dos que o tentam seguir e divulgar. Note-se que a pergunta “Você não acredita no inconsciente?” não vem de pessoas que chamaríamos leigas, mas formadas em psicologia, que deveriam ter lido o próprio autor. O fato da pergunta se repetir, em tempos e espaços distintos, palavra por palavra, pode não ser “coincidência” e dar a desconfiar que em algum lugar se aprenda que inconsciente: “é algo que tem poderes especiais” (você acredita?); ou “é uma ficção” (você acredita?).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Primeiro a hipótese da “ficção”. Frente às críticas que fiz, um leitor contemporiza Freud dizendo que ele, no final da vida, já não sonhava fazer da psicanálise ciência, ficando ela mais como “arte”. Alguns de seus postulados seriam então por ele mesmo chamados de “mitos”, como o da “pulsão de morte”. Uma atitude mais honesta: destituir dos ditos psicanalíticos o status de “verdade científica” (explicação) e assumi-los como o que são: assertivas abstratas, metafóricas, míticas (especulação). Se tais mitos favorecem ou emperram a luta social pela emancipação humana, não porei em questão agora. A burguesia tem seus mitos, a classe trabalhadora tem os seus. Se “a religião é o ópio do povo” ou “o ópio é a religião do burguês”, não está em jogo aqui. Um mito vale para quem crê nele e assim funciona, tem sentido próprio, coerência interna, como ressalta o relativismo antropológico. Da lógica do leitor deduzimos que Freud, admitindo sua teoria ser feita de mitos: tira dela o peso de “explicação” – correlação causa e efeito; e confere valor tão legítimo quanto o da psicanálise a outras formas culturais de entendimento do real, tidas como míticas – como o xamanismo, o esoterismo, a astrologia, a quiromancia, as lendas populares, entre outros igualmente respeitáveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo terá um só crivo: o mito é útil para uma prática que permita às pessoas superarem suas dores? Se for, não se poderá cobrar-lhe cientificidade, comprovação, criticidade ou concretude. Se a psicanálise é arte, como um quadro surrealista ou cubista, não precisa representar seu objeto com fidelidade. Somente lhe cabe produzir sentidos críveis com alguma condescendência ou encantamento. O reparo está feito: “não explica”, pois “nunca pretendeu explicar”. Logo não cabe crítica por fracassar na tentativa. Nesta lógica, o desejo e pronúncia de qualquer “explicação” fica por conta de “interpretações errôneas” ou de “ingenuidade do povo” que as ouve. “Freud jamais disse isso”, alegarão os devotos que não admitem que ele tenha cometido qualquer equívoco. Assim, a pergunta sobre “acreditar ou não” faz sentido agora como “você gosta desse tipo de arte?” ou “acredita nessas lendas e mitos?”. Fica mais clara a razão da questão das terapeutas e se afasta a necessidade de negar o “Freud explica” – ele apenas mitifica, confabula, romanceia. Essa é só a primeira hipótese para a pergunta sobre a crença no inconsciente. A segunda é a de se atribuir a essa entidade ficcional, metafórica, quiçá algébrica, algum poder divino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Notamos que a “energia”, cujo nome no fim já não seria “libido”, cuja natureza já não seria sexual e, numa leitura mais permissiva, quiçá sequer se equipararia a nada do mundo físico conhecido, parece manter-se ainda assim “única” e mesmo onipresente, assumindo então um dos aspectos atribuídos à divindade. Contudo, não tenho notícia de Freud assumir isso publicamente. Na mística judaica também Deus era tratado de modo “algébrico” – como “Aquele que é”, aquele “cujo nome não pode ser pronunciado”. Um conceito que está no lugar da mais alta abstração, que não se pode representar por qualquer espécie de analogia, muito menos por ícones, imagens de qualquer na natureza. Sobretudo, nos textos antigos, “Aquele que é” se manifesta como voz: “Ouve, ó Israel”. Por nenhum outro sentido se lhe tem acesso senão pelo ato de ouvir. Ainda assim, fala por emissários, nunca em primeira pessoa. Ser algo que não se pode representar pela linguagem humana, é o que há de análogo entre “Aquele que é” e “Isto que está” – não se sabe se é energia nem qual, se for. Mas Freud, judeu freqüentador da sinagoga, como contam os biógrafos, chegaria a tal ponto? Assim, quando me perguntaram “você não acredita no inconsciente?”, que tipo de fé eu precisaria ter para crer no que ninguém sabe o que é?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Corrijam-me, mas há pistas de que as pessoas que fizeram a pergunta pautavam-se na crença de que o inconsciente “age sobre nossas vidas”, “nos conduz” – é o “animismo” que apontei no outro artigo, do cavalo que o cavaleiro não controla. Na fala daquela com quem mais convivi, orientando-me para certa atividade, ouvi: “Confie no inconsciente, ele dirá o que fazer”! Um “inconsciente” que orienta nossas ações. Dirão que é só “uma interpretação equivocada e absurda” dessa profissional, apesar de seus vários anos de convívio com a teoria. Contudo, se, na linha relativista, “acreditar” nos nossos mitos não é “equívoco”, mas coerência interna com nossas próprias referências, por que não pensar como ela? Além disso, a teoria não dá nenhuma base para se interpretar assim? Essa “força”, cujo nome ninguém sabe, essa incógnita tão poderosa que está em todo lugar, esse “&lt;span style="font-style: italic;"&gt;x&lt;/span&gt;” barrado por uma cultura “&lt;span style="font-style: italic;"&gt;c&lt;/span&gt;” na equação da origem de qualquer sujeito “&lt;span style="font-style: italic;"&gt;s&lt;/span&gt;”, não parece mesmo tão onisciente, onipotente e onipresente? Os ditos críticos e esclarecidos, no interior do próprio freudismo, seguem se omitindo frente a esses equívocos, que não admitem ser da própria mitologia psicanalítica, mas são tão difundidos no senso comum e assumidos por profissionais desavisados. Enquanto isso, cabe a nós que lemos tais coisas nos mais diversos veículos, desde teses e livros a reportagens em revistas da grande imprensa, a tarefa difícil de devolver à população a pergunta tola: “e você, acredita nisso?”.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7888604696228809116-2313947128418120134?l=ninhodesentidos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ninhodesentidos.blogspot.com/feeds/2313947128418120134/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7888604696228809116&amp;postID=2313947128418120134' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7888604696228809116/posts/default/2313947128418120134'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7888604696228809116/posts/default/2313947128418120134'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ninhodesentidos.blogspot.com/2009/01/voce-acredita-no-inconsciente.html' title='Você não acredita no inconsciente?'/><author><name>Achilles Delari Junior</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00363322332993826154</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_mCNX4vGC2uc/Sx8y7-srPgI/AAAAAAAAAHM/CzCo559bAhQ/S220/Nova+Imagem.png'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7888604696228809116.post-2849463552009013821</id><published>2009-01-24T16:47:00.000-08:00</published><updated>2009-03-07T13:19:43.006-08:00</updated><title type='text'>Freud também se equivoca</title><content type='html'>A Tribuna do Povo, Umuarama, domingo, 25 de janeiro de 2009.&lt;br /&gt;Espaço do Leitor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[&lt;a href="http://www.4shared.com/file/82342650/b5671cfb/Freud_tambm_se_equivoca_-_artigo_de_opinio_-_por_Delari.html?s=1"&gt;versão em pdf&lt;/a&gt;]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Este não é um texto acadêmico, mas um convite ao diálogo crítico sobre um modo de pensar cristalizado que pode perpassar nosso cotidiano. Buscarei mostrar equívocos do fundador da psicanálise não para depreciá-lo, mas para indicar que todos somos sujeitos ao erro. Ao leitor peço que aponte os meus. De fato, repetiu-se tanto o jargão “Freud explica” que alguém pode até acreditar que seja verdade, sem ter notícia de “como” um homem nascido no século XIX deseja explicar a vida humana, nossas paixões e carências, em qualquer tempo ou espaço. Tal jargão, malgrado o esforço contrário de mentes mais críticas, evoca uma terceira palavra: “ele explica tudo”. “Explicar”, nessa insólita onisciência, é submeter todas as nossas ações, de um sonho noturno à defesa de uma tese doutoral, de um jogo de criança a um romance de Dostoievski, da caridade de Madre Teresa à violência de Hitler, a uma única causa universal: a sexualidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tal modo de pensar adéqua-se bem a três modalidades de discurso: (a) a caricatura do humorista; (b) a má fé do ideólogo; e (c) a credulidade do ingênuo. Ao humorista porque ironiza e provoca o riso tratando o singular como universal e vice-versa, tomando o verdadeiro como improvável e o absurdo como plausível: é tudo sexo. Ao ideólogo porque sustenta verdades parciais como se fossem universais para perpetuar interesses particulares de sua classe social, escamoteando a complexidade do real e reduzindo todos os conflitos de um mundo injusto a uma só pseudo-explicação: é tudo sexo. Ao ingênuo porque, carente de referências mais sólidas que os clichês mais fáceis, que lhe exigem o mínimo esforço e permitem opinar sobre o maior número de assuntos, se tranqüiliza em repetir sem refletir: é tudo sexo. Ora, deve haver algum equívoco, uma “voz dúbia revestida em dogma”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cabe o alerta da lógica dialética de Hegel: “quando se diz que algo é tudo, esse algo é nada”. Se tudo em geral é sexualidade, nada é sexualidade em particular. Alegam psicanalistas que tal sexualidade onipresente não é a “genital”, ou seja, o modo adulto de manter relações sexuais. Pois o próprio ato do bebê sugar o seio de sua mãe é também considerado “sexualidade”, nessa teoria. No entanto, se em sã consciência todos sabem que não são a mesma coisa, por que se lhes dá o mesmo nome? A hipótese de Freud é baseada em noção bem imprecisa sobre “energia”. Segundo ele, todas as nossas ações, desde uma masturbação a um cálculo diferencial, desde um beijo no rosto à elaboração de um ataque por um estrategista, seriam manifestações econômicas (acúmulo e dispêndio) de uma mesma e única “energia psíquica” – chamada, em dado momento, de “libido”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diz ser uma só energia sexual. Seja bem canalizada ou mal. Atue por satisfação insana do “princípio do prazer” ou pressão castradora do “princípio da realidade”. Mova-se por impulso da “pulsão de morte” ou da “pulsão de vida”. Voltarei a questionar este último par. Mas marco já uma primeira crítica: toda a energia psíquica humana, nos mais diferentes exemplos é arbitrariamente nomeada como de natureza “sexual”. Vimos tratar-se de um “sexual” tão radicalmente distinto em cada caso, que não se entende como poderiam ser realidades designadas pelo mesmo nome. É semelhante a dizer “tudo é composto de átomos”, chamemos os átomos de “sexuais”, logo “tudo é sexual”. Em que isso nos ajuda a entender a singularidade da existência humana? Quem explica tudo, não explica nada. É um equívoco de ordem epistemológica, que se intensifica noutros, ontológicos: (1) ontologização da determinação inconsciente; (2) ontologização da tendência à morte; e (3) hipostasia da impotência humana. Há mais, mas tratemos destes, um por vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Ontologizar” é “tomar processos ou movimentos de um ser como seres com existência própria”. É dito que a psicologia vigotskiana não ontologiza a consciência: ela não é um “ser” à parte. A consciência é o ser humano consciente, inseparável dele, sem autonomia “ontológica”. Isto parece não ocorrer com o inconsciente freudiano, tido não só como “existente”, mas até como apto a agir por conta própria. Senão me corrijam, mas alegorias do “mago de Viena” permitem ler assim. A consciência como “cavaleiro” tentando controlar um “cavalo” furioso e desgovernado: o inconsciente. Somos débeis diante do ser indomável ditando nosso destino. Apenas seguramos as rédeas para não tombar fatalmente. Mas então o cavalo controla? Se uma abelha pica o cavalo e o faz enfurecer-se, ela o domina? Se o vento a traz, é o determinante? Se frio e calor geram o vento... Qual será a causa primeira? No fim, haverá qualquer condutor? O equívoco é tomar o fato banal de controlarmos tão pouco como prova do “arbítrio” de um ser oculto, insaciável e caótico, chamado "inconsciente” – é um “animismo”, dar “vida própria” às funções mentais. Freud acerta ao lembrar o óbvio fato de sermos limitados, destronando a onipotência da razão consciente, mas erra elegendo um soberano oculto que tudo decide à revelia da razão. Cria algo como um “império dentro do império” o que, na análise de Espinosa, não existe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra ontologização freudiana é a da “tendência à morte”. Estudar os efeitos psíquicos de “estarmos morrendo” é valioso para Freud e seu crítico Vigotski. Se “tudo que vive morre”, isso importa à psicologia. Mas, “mesmo a pergunta sendo pertinente, a resposta pode não ser satisfatória” – disse o crítico. A psicanálise supõe a “pulsão de morte” como primordial, crendo que toda energia tende a consumir-se. A “pulsão de vida” seria secundária, pois apenas luta, em vão, contra a morte. O conceito de energia em Freud é impreciso. Para a física, a quantidade de energia no universo é constante, sua tendência não é se “consumir” no sentido de “desaparecer”, mas “transformar-se”. O mito “energético” é frágil. Mais mítico é atribuir à morte “vida própria”, “poder de ação” e “superioridade” à vida, mera fuga à morte. Seria dizer: “O sol só brilha em luta contra seu destino de apagar-se”. Uma apologia ao poder do nada – um “niilismo”. Cavalgamos para lugar nenhum e a vida é rebeldia passageira contra o soberano supremo: a morte. Ela ordena e o cavalo conduz. Freud acerta ao lembrar o óbvio fato de que morreremos, mas erra em não ver sentido na vida que não só negação ao fim de tudo. A afirmação: amar, trabalhar, ter filhos, prosseguir, é mero solavanco no desespero de evitar a queda. Vai contra o dito filosófico de que “a vida se impõe”, sugerindo que ela só se submete.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Freud também hipostasia, eleva a estatuto ideal, nossa impotência. Se a morte “ganha vida”, a impotência “tem poder” de barrar nossa ação. Isso derivaria de nossa espécie ter dois sexos separados. Para procriar precisamos de outro ser, assim somos incompletos e impotentes por natureza. Nossa capacidade de nos unirmos e cooperar é signo de fracasso, não força. Nesta lógica, mais potente que o humano é a ameba: não precisa união para se reproduzir. Mas se potência é poder de realização, quem tem mais? Seres inferiores não têm neuroses, assim o homem seria o mais infeliz de todos, por ser pressionado e incapaz de atender o desejo do outro ou realizar o seu. O indivíduo é visto como radicalmente só e incomunicável – é o chamado “solipsismo”. Porém, há um ditado de que: “sem pressão não se formam diamantes”. O que seria mais potente, uma ameba “sem pressão” tornar-se duas, ou a vida humana com pressão converter “carvão em diamante”? Freud acerta ao lembrar o óbvio fato da incompletude na condição humana, mas erra ao ver na necessidade de compormos com semelhantes e diferentes só fragilidade e não potência. Vê na vida histórico-cultural mais um sintoma de fraqueza que um salto a novas formas de satisfação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escritor genial e médico virtuoso, Freud também se sujeita às suas hipóteses: nem sempre é consciente do que diz; nem sempre age em favor da vida; nem sempre é tão potente quanto desejaria. Mas, com assertivas dúbias passadas como dogma, inverte valores: a energia sexual particular é convertida em universal (pan-sexualismo); as funções mentais inanimadas são convertidas em vivas soberanas da ação humana (animismo); a morte que seria antes a ausência de vida e força é convertida em força com vida própria que tudo vence (niilismo); e a necessidade de nos unirmos ao diferente para dar continuidade à vida é convertida em apenas fonte de impotência e isolamento (solipsismo). À ostentação do dúbio como explicação infalível, chamei de equívoco. O conjunto deles forma uma teoria conservadora, auto-suficiente e muito seguida. Por suas origens e pelas prioridades do sistema social, seria equívoco nosso desejar outra coisa. Mas quem ainda nega haver tais equívocos terá também certeza absoluta de que “Freud explica”?&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7888604696228809116-2849463552009013821?l=ninhodesentidos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ninhodesentidos.blogspot.com/feeds/2849463552009013821/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7888604696228809116&amp;postID=2849463552009013821' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7888604696228809116/posts/default/2849463552009013821'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7888604696228809116/posts/default/2849463552009013821'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ninhodesentidos.blogspot.com/2009/01/freud-tambm-se-equivoca.html' title='Freud também se equivoca'/><author><name>Achilles Delari Junior</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00363322332993826154</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_mCNX4vGC2uc/Sx8y7-srPgI/AAAAAAAAAHM/CzCo559bAhQ/S220/Nova+Imagem.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7888604696228809116.post-7369370509156249034</id><published>2009-01-12T15:26:00.000-08:00</published><updated>2009-01-12T16:06:04.031-08:00</updated><title type='text'>"Perdoai as nossas ofensas"</title><content type='html'>A Tribuna do Povo, Umuarama, terça-feira, 13 de janeiro de 2009.&lt;br /&gt;Espaço do Leitor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De toda a orientação ética dada na oração maior da cristandade, deixada por Jesus, a passagem que mais desafia quem a leva a sério talvez seja: “Perdoai as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido”. Tentarei mostrar, neste breve artigo, que tal passagem desafia não só nossa disposição moral, em dizer a oração de coração e em verdade, como também a nossa hermenêutica, interpretação crítico-teológica, para bem compreender seus significados. Por que ela teria um conteúdo semântico, um significado, organizado de modo especial? Peço ao leitor discordante mais versado que me escreva e corrija-me, mas entendo tratar-se da única passagem, em todo o Pai Nosso, que é explicitamente “condicional”, senão “condicionada” a uma atitude prévia por parte de quem ora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, posso dizer “Santificado seja o vosso nome”, sussurrando mentalmente “assim como nós o santificamos em atos e palavras”, ou “Venha a nós o vosso Reino”, imaginando “assim como nós o construímos aqui na terra”. Por iniciativa nossa: captar o sentido geral e ver a oração não só como demanda a Deus, mas também como compromisso de concretizarmos cada palavra com atos cotidianos. Porém o texto literal não diz “assim como nós” nas demais passagens. Não há relação condicional prévia entre “o nome de Deus ser santificado universalmente” e “nós fazermos por santificá-lo, em particular”. Nem entre “o reino de Deus vir a nós, em toda a terra” e “nós sermos agentes pessoais na edificação dele”. Trata-se de pedido e imperativo universal: “que tudo que existe e vive santifique o nome de Deus”, “inclusive eu”; “que todas as forças do mundo invistam-se na construção do reino de Deus”, “inclusive as minhas”. Mas o “Perdoai-nos” é distinto. Não partimos do princípio: “Que as ofensas de todos sejam perdoadas por Deus, universalmente, inclusive as minhas”. A impressão clara de quem reza é de que deve primeiro perdoar os demais para então ser digno de obter perdão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos outros casos há uma tomada de atitude particular “verbalmente implícita” e “logicamente condicionada” à prescrição universal: não se declara que primeiro eu santifique o nome de Deus, primeiro ajude na construção do seu reino, para que tais pedidos sejam feitos e concedidos, ou sim? Já no caso do perdão, ocorre o inverso, a tomada de atitude particular de quem ora é “verbalmente explícita” e “logicamente condicionante”, requisito, da prescrição universal. Isso nos inquieta: poderia algo particular (a atitude humana de perdoar) ser logicamente anterior a uma prescrição universal (o infinito perdão de Deus)? Entende-se que as virtudes de Deus sejam superiores às nossas, então pedir que Ele perdoe “assim como nós perdoamos” gera tensão hermenêutica, pois mais devemos buscar seguir atributos de Deus, do que Deus agir assim como nós, imperfeitos por definição. Logo, a oração não diz que Deus só perdoará na exata medida que o homem é capaz de perdoar – o que contradiria a essência da divindade. Como nessa área não cabe contradição, o significado deve ser mais elevado. Para alcançá-lo sou limitado e o leitor pode ajudar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tentando elevar à universalidade o pedido pessoal, veríamos no plural “Perdoai-nos” um índice dos erros de uma coletividade, uma nação ou, no limite, toda humanidade. Mas dizendo “assim como nós”, na voz de um “eu”, surge um desafio: um só não pode assumir as atitudes de todos, se busca um perdão que dê paz imediata para reiniciar visando não reincidir. Poderia tal paz vir no presente pela certeza de perdão só no futuro? Pela esperança em milênios vindouros, dos quais somos pré-história e nos quais “o mundo já não será mundo e sim algo melhor”? Se “nós” formos “toda a humanidade”, devendo todos perdoar para sermos perdoados, nosso altruísmo, dedicação e paciência não deverão também aumentar? Seria um desafio. Mas a maioria de nós não faz suas orações assim. O perdão pedido não é sempre para os erros de toda a gente. O “nós” é mais uma forma literária de dizer “eu” do que um compromisso social planetário. Assim, após esta tentativa, a busca por sentidos mais elevados continua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seguindo para além do pé da letra da oração, busquemos amparo na interpretação mais geral. Na tradição cristã, o tema dos erros humanos e sua redenção se liga à discussão teológica relativa à morte de Cristo, como símbolo de imolação que redime as culpas históricas da humanidade. Nessa visão da relação homem-divindade, uma “nova aliança” se firma como ética distinta e inédita. Na sua dimensão temporal ela é nomeada como “Tempo da Graça” que incorpora, supera e sucede o “Tempo da Lei” – lembrando um teólogo amigo meu. Nesse tempo novo, já não impera a letra da antiga lei, pois “O sábado foi feito para o homem, e não o homem para o sábado” (Mc 2, 27). Então, julgar nossos erros pede  sensibilidade e entendimento não legalista, ao definirmos “ofensas”. Cabe ponderar, pois há novos conceitos de condenação e salvação, mas ainda nos apegamos a regras arcaicas. Mesmo assim, erramos – seja por não seguir a lei ou por não estar na graça. Para o cristão, só o exemplo de Cristo é saída para nossa fatal tendência ao erro. Agostinho resume indicando que “não amar” é o único erro: “Àquele que ama, tudo é permitido”. Quem ama, a Deus sobre tudo e ao próximo como a si, não quebrará mandamento algum. Mas, mesmo quem ama e segue seus ritos religiosos, não o faz sempre e não se livra em definitivo de ofender ao semelhante, a si próprio, a Deus. Por ser inevitável errar, por nem sempre o amor ser a lei maior, não escaparemos: teremos que pedir perdão. Do geral voltamos ao particular.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na particularidade da vida concreta, na qual sempre erramos, torna-se tenso pedir perdão, pois arriscamos vir a repetir o mesmo expediente em breve. Há um ditado: “errar é humano, persistir no erro é burrice”. Se tomarmos “erro” como “ofensa”, poderia ser: “errar é humano, persistir no erro é maldade”. O primeiro tem conotação cognitiva (falta de inteligência), o segundo tem conotação ética (falta de caráter), ambas são humanas, até demais. Sucessivas retratações para um erro recorrente rebaixam nossa estima e credibilidade frente ao outro e a nós próprios, mesmo que ninguém seja irrecuperável. Pode-se até dizer: “Se erro contigo e, em verdade, me perdoares, a dívida não acumulará”. Mas, alguém é tão amoroso ao ponto de não recobrar a violência antes sofrida que retorna por mãos do mesmo agressor?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só a divindade seria diferente, pois Deus, primeira pessoa, nunca será ferido por qualquer agressor, não ficará magoado ou ressentido por dor de agressão sofrida. É na segunda pessoa, o Filho, que se pode cogitar tal provação, por unir condição humana e divina em paixão incomparável. O perdão do Pai, invulnerável, difere do humano, vulnerável. Pedimos perdão por antes ofender o próximo, imagem e semelhança d’Ele. Agredindo ou omitindo, machucamos nossos semelhantes, não Deus - cuja integridade de atributos é inabalável, sua fortaleza é inexpugnável. Já o Verbo feito carne se feriu e sangrou, para sobrepujar a morte. Deus só é molestado e chora no corpo de um ser humano. Nas duas pessoas, o perdão divino é infinitamente superior, não só por Deus não ter mágoa de golpes tomados, mas por apiedar-se dos proferidos contra todo gênero humano, cuja vivência seu próprio filho encarna e eleva à potência mais alta. Por isso é erro tomar o “assim como nós” ao pé da letra. Obviamente, quem deve aprender a perdoar e pedir perdão é o homem, jamais Deus. Ferimos o outro, precisamos pedir perdão. Ferem a nós, precisamos perdoar. O “dente por dente, olho por olho” é superado. Pedindo e concedendo perdão, libertamo-nos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não por ser fácil. O pedido envolve dores indesejáveis: arrependimento e culpa. Na ideologia capitalista de sucesso individual a todo custo, dizemos: “não me arrependo de nada”, “podendo faria tudo de novo”. Arrepender-se é admitir tempo perdido, e não gostamos. A mesma ideologia critica a noção ocidental de culpa que “escraviza”. Mas a psicanálise ensina que um homem sem culpa alguma não preserva sanidade mental. Pedir sinceramente perdão envolve não ser o centro do mundo (ideologia de só levar vantagem) e não padecer de mal psíquico (patologia de tratar os outros como coisas). Sendo difícil e necessário, temos por fim duas leituras para “assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido”. Uma seria pedir também “ensina-nos a perdoar assim como vós nos perdoais” (foco no modelo superior). Outra seria junto meditar: “perdoai as nossas ofensas só quando todos perdoarmos aos que nos têm ofendido” (foco no tempo futuro). É difícil até resumir, mas convido o leitor a ampliar. E, pela inaptidão em contemplar o tão vasto no mais breve, peço perdão.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7888604696228809116-7369370509156249034?l=ninhodesentidos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ninhodesentidos.blogspot.com/feeds/7369370509156249034/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7888604696228809116&amp;postID=7369370509156249034' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7888604696228809116/posts/default/7369370509156249034'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7888604696228809116/posts/default/7369370509156249034'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ninhodesentidos.blogspot.com/2009/01/perdoai-as-nossas-ofensas.html' title='&quot;Perdoai as nossas ofensas&quot;'/><author><name>Achilles Delari Junior</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00363322332993826154</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_mCNX4vGC2uc/Sx8y7-srPgI/AAAAAAAAAHM/CzCo559bAhQ/S220/Nova+Imagem.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7888604696228809116.post-9012735789998199204</id><published>2009-01-07T04:36:00.000-08:00</published><updated>2010-10-06T22:38:40.175-07:00</updated><title type='text'>Orgulha-se de sua impaciência?</title><content type='html'>A Tribuna do Povo, Umuarama, terça-feira, 06 de janeiro de 2009.&lt;br /&gt;Espaço do Leitor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Até há pouco tempo seria tomada como segura a noção de que a paciência é uma virtude e a impaciência um vício. Mas recentemente numa cena cotidiana, corriqueira, comecei a tomar consciência de já haver quem coloque a impaciência também quase como motivo de orgulho. “Não tenho paciência para ler tal autor” – disse alguém numa roda de conversa, em tom de resolução. Para meu argumento aqui diante disso, não importa que tal autor fosse um dos maiores nomes das ciências humanas no século XX. Pois é justo que nem sempre tenhamos necessidade de leituras mais profundas, tampouco desejo de aprender conceitos relativos a problemas bem mais difíceis que os encontrados em nosso trabalho e vivência rotineiros, dos quais bem damos conta com as estruturas cognitivas que já atingimos. Certamente, não é necessário que eu aprenda a física de Einstein, sequer a de Newton, para andar de bicicleta. Do mesmo modo, eu não precisaria iniciar-me à estética da criação verbal de Bakhtin, sequer a de Aristóteles, para escrever este artigo de opinião. Se fosse para conduzir um ônibus espacial ou produzir apreciações das mais elevadas sobre a linguagem humana...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas o que me tocou naquela sincera e resoluta negação à leitura não foi o fato legítimo da pessoa não ter qualquer necessidade daquilo que o autor oferece à sociedade, mas a atitude que, no subtexto e pelo tom, tendia a diminuir aquilo ou aquele com quem ela dizia não ter “paciência”. Caso eu proceda assim, seja com o que for, marcarei estar em tela de juízo o objeto da minha “impaciência” e não a inadequação de meu próprio sentimento. Ele não aparecerá como falha minha, ao contrário, quase falarei dele como se fosse uma virtude, algo que demonstraria certa autoridade em mim, afinal “o outro não é digno de minha criteriosa paciência”. No campo dos sentidos desse simples “não tenho paciência para ler”, podem situar-se juízos de valor como: “esse tipo de texto me tira a paciência”; “é uma leitura que me irrita, me impacienta”. Se eu me colocar assim, em qualquer situação, não falarei apenas sobre algo de que “não necessito”, tampouco algo que “está além da minha compreensão” ou que “visa objetivos mais ambiciosos que os meus”. Ao contrário, poderei estar pondo em jogo a idéia de que seja tão somente algo sem valor, desprezível, indigno de minha paciência...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Se tomo iniciativa de escrever sobre esse tema, partindo de exemplo aparentemente tão insignificante, é porque noto que se trata de um indício de algo mais profundo na cultura contemporânea. Atitudes de “impaciência” como a que me referi não se apresentam apenas quanto ao que se refere a gostos, interesses ou necessidades por determinados tipos de gêneros literários, sejam eles filosóficos, científicos ou ficcionais, busquem eles dizer o mais verdadeiro sobre a realidade humana ou apenas vender idéias, serviços ou produtos. Tampouco a questão se reduz aos gostos estéticos, ou preferências políticas, esportivas, religiosas ou acadêmicas. Os limites de nossa paciência, na sociedade contemporânea vão progressivamente se reduzindo para tudo quanto o que não seja criado à nossa imagem e semelhança, para tudo quanto não atenda nossos interesses imediatos e não nos traga algum tipo de benefício individual direto ou “vantagem” sobre nossos semelhantes.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tudo o quanto é traço de distinção e diferenciação entre pessoas está potencialmente sujeito a tornar-se alvo da dita “impaciência”. Assim, a ela pode associar-se a intolerância, por vezes o desdém e, no extremo, até o preconceito e a violência simbólica. Desse modo, inquietando-me com aquela fala tão irrefletida, talvez nisso até ingênua, notei que algo me convidava a pensar em minhas próprias impaciências. Que são tão numerosas. Ter paciência é uma virtude que exige de nós muito esforço e desprendimento, se ela for tomada no sentido de determo-nos com atenção e dedicação mesmo por sobre aquilo que nos é adverso e nos causa estranheza e insatisfação. Tem se tornado raro tomarmos tal atitude sem fecharmos o caso em algum estereótipo ou clichê – caricaturando o outro para mais facilmente dispensá-lo; ou sem nos afastarmos de dar qualquer resposta, na atitude típica do “cínico” – omitindo-nos de pronunciar nossa posição, negando-nos ao diálogo, não vendo o interlocutor como capaz de compreender-nos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Devo admitir, sem me orgulhar, que não tenho paciência com quem diz não ter “paciência” com algo cuja grandeza não consegue alcançar, em cuja profundidade não tem fôlego para mergulhar. Não me orgulho, porque o defeito é meu: faltam-me recursos dialógicos para amparar um parto que traga à luz o amor de outrem pela sabedoria. Do mesmo modo, também não tenho paciência: com a ideologia de que o caminho do capitalismo neoliberal seja o mais apto a promover o bem estar da humanidade; com a retórica mentirosa dos políticos de carreira de qualquer sigla; com a linha editorial pequeno-burguesa de revistas de grande circulação como a “Veja”; com a vulgarização e distorção de temas ditos científicos em outras como a “Super interessante”; com a linguagem ladina dos informes publicitários, em seus mais variados formatos; e até com os spams na caixa postal do meu correio eletrônico; não tenho paciência comigo mesmo por eu ser assim tão impaciente com o que mais há no mundo. Minha impaciência, indignação e insatisfação vão do mais amplo e abstrato ao mais restrito e insignificante, frente ao outro ou frente a mim.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por fim, sou impaciente para com coisas e linguagens totalmente descartáveis, superficiais e inúteis para a edificação de uma humanidade melhor. Não pela inutilidade em si (tantas coisas “inúteis” e gratuitas nos podem ser tão agradáveis), mas sim por se avolumarem sobre nós todos os dias, ou toda a semana, por diferentes veículos, como se fossem os bens mais essenciais para nossa vida e realização pessoal – desde pacotes de serviços bancários a “caminhos para a salvação eterna” nos vêm querer vender, diariamente. Impaciência para com o lixo propagado como artigo de primeira necessidade para a experiência humana e a vida social. Com essa minha intransigência, eu poderia até repetir Raul Seixas quando diz “Eu não preciso ler jornais, mentir sozinho eu sou capaz”... E assim também você leitor poderia dizer o mesmo quanto ao que escrevo aqui. Desse modo, os exemplos podem multiplicar-se, e haverá tanto com o que nos impacientarmos, incomodarmo-nos, quanto houver realidades que não sejam espelho fiel de nossas preferências. Iremos nos incomodar até com aquilo com o que nem necessitamos ter contato. Mesmo com o que de nós não cobra qualquer audiência, muito menos algo chamado “paciência”...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Daí minha necessidade de reflexão. Para que perder a paciência com o que, em absoluto, não me diz respeito? Acaso a pessoa que citei no início é obrigada por alguém a ler livros do tal autor? Acaso a leitura das revistas de que não gosto me é exigida como dever escolar, ou tarefa de trabalho? Recai sobre nós, nesses casos, alguma lei que nos cobre “paciência”? De onde derivaria em nós a necessidade de declarar aos outros as referências de que não gostamos? Por que elas nos incomodam? Será que não temos paciência só com as referências ou também com quem as aprecia? Precisamos fazer questão de dizer, diante de quem gosta do que reprovamos, que para aquilo “não tenho paciência”? É um expediente triste, amargurado. Mas todos o usamos, o tempo todo. Como disse o já citado estudioso russo da estética da criação verbal: “todo enunciado envolve um juízo de valor”, estejamos conscientes disso ou não. Ademais, nem todo juízo é condenatório ou depreciativo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas o valor mais importante aqui e agora, não é a paciência entendida só como atitude negativa, de pura resignação e subordinação, pela qual apenas suportamos aquilo de que não gostamos, para obter um benefício final. Não tal paciência, a qual muitos precisamos ter, por  exemplo, com o ato de ir trabalhar todo o dia, para obter nosso merecido sustento. Não uma paciência assim, com a qual faríamos a alguém uma sorte de favor por ouvir-lhe ou tolerar-lhe. Mas outro valor, mais afirmativo: o da paciência como dedicação empática e solidária, do respeito para com os gostos dos outros, mesmo tão diversos dos nossos. O cuidado de não emitir julgamentos bons ou ruins a não ser que se façam socialmente necessários, isto é quando o enunciado de outrem nos solicita réplica, posicionamento ético. Uma réplica socialmente necessária, nesse momento, seria a que trouxesse um convite a repensar nosso hábito já milenar de “achar feio o que não é espelho”... Mas para que tal convite seja feito e atendido, precisamos ainda boa dose da rara afirmativa e ativa paciência.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7888604696228809116-9012735789998199204?l=ninhodesentidos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ninhodesentidos.blogspot.com/feeds/9012735789998199204/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7888604696228809116&amp;postID=9012735789998199204' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7888604696228809116/posts/default/9012735789998199204'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7888604696228809116/posts/default/9012735789998199204'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ninhodesentidos.blogspot.com/2009/01/orgulha-se-de-sua-impacincia.html' title='Orgulha-se de sua impaciência?'/><author><name>Achilles Delari Junior</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00363322332993826154</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_mCNX4vGC2uc/Sx8y7-srPgI/AAAAAAAAAHM/CzCo559bAhQ/S220/Nova+Imagem.png'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7888604696228809116.post-3218417274116235035</id><published>2008-11-06T16:19:00.000-08:00</published><updated>2008-11-06T16:48:02.583-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='simplismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ghiraldelli'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='banalização'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='preconceito'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='moralismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='depressão e filosofia'/><title type='text'>O paradoxo da filosofia banalizante</title><content type='html'>A Tribuna do Povo, Umuarama, sexta-feira, 07 de novembro de 2008.&lt;br /&gt;Espaço do Leitor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[&lt;a href="http://www.4shared.com/file/70056189/673035b/O_paradoxo_da_filosofia_banalizante_-_crtica_a_Paulo_Ghiraldelli_Jr.html"&gt;versão em pdf&lt;/a&gt;]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parece incrível que a filosofia, cuja função primeira sempre foi lançar um olhar de estranhamento e admiração àquilo que a repetição nos fez passar a ver como banal, num malabarismo midiático, possa prestar-se à prática inversa: banalizar temas sutis, complexos, polimorfos, de difícil compreensão. Mas isso acontece, como no blog de um professor de São Paulo, Paulo Ghiraldelli Junior, em seu texto “&lt;a href="http://ghiraldelli.wordpress.com/2008/10/29/depressao-e-filosofia/"&gt;Depressão e Filosofia&lt;/a&gt;”, de 29 de outubro de 2008. Ali vemos definições indiscriminadas e preconceituosas para o que se diz serem “os depressivos”. Esse autor, em nome da filosofia, que poderia desarticular dispositivos simbólicos do preconceito, mais os hipostasiou, deu a eles estatuto de existência concreta – recurso discursivo mais adequado à alienação que ao esclarecimento. Ele inicia dizendo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“O que pode fazer você feliz? Você sabe o que é ser feliz? Algumas pessoas sabem, mas muitas não sabem, mesmo tendo tudo para não se preocuparem. Estas últimas são os chamados genericamente de “depressivos”. Tudo pode dar certo na vida dessas pessoas, mas elas não conseguem curtir o êxito, elas estão sempre “de baixo astral”.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Depressivo”, até aqui corretamente entre aspas, não poderia ser alguém com depressão, como mal ao qual nos cabe ajudar, senão a curar, ao menos a minimizar com recursos sociais disponíveis para promoção de saúde. Parece falar-se de algo diverso. Chama-se de “depressivo” alguém que por vontade ignora o que é ser feliz, mesmo já sendo! Sua vida é perfeita e não consegue ou, pior, “não quer” admitir... Alguém sem preocupação que, por capricho, simula um “baixo astral” para com isso ganhar mais benefícios do que já tem, mesmo tendo tudo. Alguém muito ambicioso, deduz-se. O autor pinta tal quadro surreal. Retrata um “mentiroso” com o gosto excêntrico de dizer não estar bem, ainda que com tudo maravilhoso, mesmo num mundo em que o status de “levar vantagem” é tão cultivado. Conhecemos tantas pessoas com descrição tão curiosa? A elas nomearíamos “depressivas”? A todos os nossos conhecidos que sofrem com depressão atribuiríamos tais características tão pitorescas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez ele não falasse de depressão, e usasse a palavra só por falta de conhecimento crítico de seus significados. Poderia ser uma “metáfora” – já que usa “aspas”. Antes fosse, embora saibamos, desde a filosofia da linguagem de Bakhtin, que a eleição de uma palavra não é aleatória e envolve compromisso ético de quem enuncia, marcando ainda uma posição de classe na arena de lutas do signo. Mas quem lê até o final vê a reposição dos preconceitos, em tom sarcástico, apelativo, mal dirigido, atacando um interlocutor indefinido e abstrato, sem levar em conta uma audiência social concreta, historicamente situada, como a de pessoas que de fato enfrentam a depressão e não coincidem com a ficção caricata criada pela mente do autor. Dispensando possíveis alianças dialógicas, ele omite a polissemia, contradições e nuances do tema, torna-o unidimensional, monológico:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Mas, não se esqueçam: a depressão crônica faz de você aquele que adora ser cuidado, então, quando algo pode tirar você da infelicidade, isso, não raro, pode lhe meter medo. E sabemos bem esta verdade: não são poucos os depressivos que diante da possibilidade de uma cura rápida preferem nem ouvir falar nisso. Ficar feliz é tudo que não querem, pois a infelicidade já teria se transformado em uma propriedade querida, um bem, uma vocação. E ninguém quer perder um bem ou uma vocação. Tirar a depressão de um deprimido crônico pode significar para ele devolver-lhe a liberdade, e uma boa parte de nós teme a liberdade.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As aspas caem no final e não é que “mude de posição” para uma “mais literal” que a anterior, só repete mais intensamente o preconceito já posto, no qual as pessoas com depressão não sofrem qualquer mal que lhes tire a saúde, que lhes impeça de viver bem. Ao contrário, apresenta a hipótese de que o “deprimido” é um infeliz voluntário e interesseiro que só se beneficia do mal que diz acometê-lo. Um mal que sequer existiria, pela retórica estrategicamente áspera de Ghiraldelli. Marca-se uma versão relativista da dor humana, tomada como pura superestrutura simbólica acrescida, no suposto caso, de alta dose de perversão ou má fé, sobre as quais recai o juízo moral do autor: “pessoas depressivas têm medo da liberdade”. Juízo moral, pois supõe que ser livre é possível nesta sociedade, só não é quem tem má vontade. O medo, ademais, só pode estar aí como vício e fraqueza, jamais força ou virtude, sequer contingência ou defesa, portanto se o condena. Em suma, nesta versão: “depressão não existe”, é só um capricho de quem “diz” tê-la. Como o de um político ou intelectual que diz haver “liberdade” e “democracia” para se favorecer da ilusão que isso cria, mesmo que elas inexistam aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tanto é dúbia a liberdade da qual o autor diz ter medo o “depressivo”, que minha crítica enviada ao seu texto não foi publicada, o convite ao diálogo rejeitado e o exercício da liberdade impedido por quem acusa outros de temê-la. Trata-se ali de filosofia sem diálogo, algo que sequer na Grécia aristocrática com sua “democracia” para apenas 10% da população, se concebia. Já um comentário de Thiago Leite Ribeiro, imitando a retórica simplista do texto, foi bem aceito. Este repôs, sem crítica, a noção de o “depressivo” só não sair de sua condição por “gostar dela”... Mas se o “depressivo” não gosta de ouvir o que contrarie sua “falsa crença de que sofre”, também o moderador do blog não gosta de ouvir contestação, censurando, silenciando, apagando o diferente. O “gostar” do “depressivo” é posto tacitamente como moralmente inferior ao “gostar” do moderador, que condena um vício no outro, mas não o mesmo vício em si: permanecer no mesmo lugar. Nisso o conteúdo moralista de “Depressão e Filosofia”: a culpabilização individual da doença. Abstraem-se suas causas psicossociais, ignoram-se seus componentes genético-moleculares complexos e nem se cogita a dinâmica da integração dialética desses determinantes, como é típico da ideologia liberal pequeno-burguesa mais conservadora: “quem sofre é o único culpado por sua dor”, “cada um tem o sofrimento que merece”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mimese de Ribeiro ainda equipara depressão e tristeza - algo bem freqüente no senso comum. Mas sabe-se: “depressão não é o contrário de alegria, é o contrário de disposição”. Depressão não é o mesmo que tristeza. Alguém pode estar triste e ainda manter disposição para suas atividades, mesmo carecendo de sentido em dado momento, por algum motivo. Daí a dificuldade de quem ignora o quadro em conceber que alguém profundamente indisposto e apático não tenha ânimo para sair da situação por si, o que seria paradoxal. Ou nos omitimos e aguardamos que a indisposição recue – com o tempo, como que por um ciclo biológico, uma maré. Ou algo se faz para intervir -– com a medicina, psicologia ou a filosofia com seus &lt;span style="font-style: italic;"&gt;phármakons&lt;/span&gt;. Com alguma solidariedade. Sair da depressão profunda por si próprio seria como uma aventura do Barão de Münchausen. Mas estar preso é cômodo? À falta de apetite? Às dores no corpo? À ausência de libido? À insônia? Ao vazio? À ideação suicida? Ao auto e hétero moralismo recorrentes? Aos efeitos adversos dos remédios? É cômodo? É gostoso? O sincretismo aplicado por Paulo e Thiago, seu uso indiscriminado de palavras que cobrem situações bem diferentes e até antagônicas, não contribui para um pensamento crítico. Quem é esse “depressivo” de que se fala? O que realmente se está chamando de “depressivo”, como se isso se aplicasse a tudo que está sob tal signo? Os pretensos críticos aqui só corroboram preconceitos muitíssimo enraizados no senso comum, no conservadorismo, aos quais antes caberia à consciência filosófica superar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É de admirar que leitores de um blog tão consultado, diante da gravidade da situação, não se manifestem contra ela. Contudo, sabendo que as posições divergentes não são ali publicadas, não havendo liberdade de expressão, a admiração se dissolve. Ali não há o que admirar. Justo num campo em que antes deveríamos aprender a nos admirar com o mundo tido como banal, acabase por banalizar o que poderia ser objeto de admiração e reflexão crítica: a dor humana e a luta do homem contra ela, suas contradições, seu sucumbir, suas esperanças e aspirações. Se pessoas que realmente sofrem com a depressão e lutam contra ela podem sim cultivar ou manter uma vontade de alegria espinosiana, de compor mais com o mundo, de estabelecer alianças com os outros em busca de um bem comum, mesmo que no contraponto e na adversidade, não será por conta das colocações infelizes, tristonhas, de tal “filosofia” banalizante, mas apesar dela e justamente contra ela.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7888604696228809116-3218417274116235035?l=ninhodesentidos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ninhodesentidos.blogspot.com/feeds/3218417274116235035/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7888604696228809116&amp;postID=3218417274116235035' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7888604696228809116/posts/default/3218417274116235035'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7888604696228809116/posts/default/3218417274116235035'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ninhodesentidos.blogspot.com/2008/11/o-paradoxo-da-filosofia-banalizante.html' title='O paradoxo da filosofia banalizante'/><author><name>Achilles Delari Junior</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00363322332993826154</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_mCNX4vGC2uc/Sx8y7-srPgI/AAAAAAAAAHM/CzCo559bAhQ/S220/Nova+Imagem.png'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7888604696228809116.post-4946318104048846759</id><published>2008-10-04T09:30:00.000-07:00</published><updated>2008-10-04T09:44:36.354-07:00</updated><title type='text'>Seu candidato conhece você?</title><content type='html'>A Tribuna do Povo, Umuarama, sábado, 04 de outubro de 2008.&lt;br /&gt;Espaço do Leitor&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Você conhece o seu candidato?” – é o que gostam muito de perguntar publicitários que enriquecem graças à desinformação geral; candidatos afoitos por cooptar novos eleitores; e pseudointelectuais que insistem em ter “consciência social” mesmo que só de quatro em quatro anos. Mas por que ninguém pergunta: “o candidato que quer, a todo custo, o seu voto, conhece você?”. Ele sabe o seu nome? Ele sabe da sua história? Ele sabe em que você trabalha? Ele conhece a sua família, suas vivências, suas virtudes, suas dores, suas dificuldades? Ele conhece a rua em que você mora, seu bairro? Conhece realmente a fundo a cidade em que você mora, os locais dele pelos quais você passa? Conhece a geopolítica do estado a que sua cidade pertence? Conhece a realidade do país, e as relações internacionais que a determinam?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora, se ele lhe conhecesse bem, se participasse da sua vida, se estivesse inserido na realidade social da qual você participa, junto com mais tantas pessoas como você, já não saberia quem ele é? Saberia. Mas então porque ele tem que fazer propaganda de que você deve conhecê-lo? Porque ele não conhece você. Mas ele quer que você, que trabalha o dia todo, chega em casa cansado, toma banho, mal se alimenta e já deve estar na cama para se recuperar para o outro dia, que não tem tempo para ler esse jornal, seja obrigado a saber quem ele é. Mas ele que é dispensado do trabalho para fazer campanha, ele que é grande proprietário de meios de produção, ele que é profissional liberal de grande influência e atende centenas de pessoas e ganha muito bem por isso, não tem obrigação de saber que em é você? Não é justamente ele que irá governar em teu nome, como você, por você e para você? Para atender as tuas necessidades? As necessidades de todos que têm as mesmas dificuldades que você?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se ele conhecesse você, não precisaria dizer “conheça meu passado”; “conheça minhas propostas”. O passado dele teria sido partilhado com o seu, as propostas dele seriam reflexo das práticas sociais dele que você já conhece. Mas não: “ele é tão bom, só que ninguém sabe ainda”. Então, nas eleições é momento para ele contratar um publicitário, pagar desempregados para distribuir santinhos e segurar bandeiras coloridas em esquinas movimentadas, pegar licença de seu emprego, caso ele tenha um, para ir fazer campanha e então, finalmente, dar ao mundo “a boa notícia” sobre o quanto ele é “necessário”. Dizer-nos sobre quanto nós temos que conhecer o passado dele e comparar com o dos outros, que ele já investigou com sua equipe para destacar apenas os defeitos, seja reais ou só proclamados. então, nesse momento, nos será exigido tornarmo-nos historiadores ou detetives para pesquisar a vida de cada candidato e saber quais seriam os melhores representantes nossos, os mandatários aos quais daremos aval para governar em nome dos interesses deles e suas corporações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vivem publicitários, candidatos e pseudo-intelectuais repetindo: “o eleitor não conhece os políticos”. Realmente: se de fato os conhecêssemos, soubéssemos mesmo quem são, talvez já estivéssemos produzindo, em outros espaços mais legítimos, menos artificiais e formais da vida pública que as urnas, no nosso trabalho e cotidiano, formas mais substanciais de enfrentamento a tudo que eles representam e perpetuam, com o aval do manipulável voto. Contudo, quem tem espaço nas mídias ou relações de influência, para propor um conceito de política mais substancial e participativo, não o faz. Ficamos presos a uma dupla e perversa retórica: (1) na época de eleições, “gostem de política, participem, conheçam seu candidato, votem, façam campanha, ouçam propostas”; (2) na época da gestão “deixem o homem trabalhar, votou nele não pode reclamar, votou no outro obedeça a vontade da maioria, não votou em ninguém não venha criticar”. Ou seja, toda a democracia se reduz ao simples, coagido, obrigatório, gesto de escolher entre o ruim e o tão ruim quanto. Feito esse gesto, ninguém mais lhe pedirá para conhecer nada, saber do que se passa, alfabetizar” politicamente ninguém. A política é vista e mostrada por candidatos e seus marketeiros como ação de profissionais de gabinete, com autorização pública para defender projetos e interesses da minoria a que pertencem. Eles não nos conhecem. Como podemos conhecê-los?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um candidato a vereador chegou para mim em certa oportunidade e disse-me “Você já tem candidato? Meu número é tal, meu nome é tal, sou candidato”. Menos de uma semana depois o mesmo candidato veio a mim e perguntou exatamente o mesmo. Então eu lhe respondi apenas: “você é fulano e seu número é tal”. E ele se espantou, não entendendo como eu poderia saber. Numa terceira oportunidade a cena se repetiu. Depois disso, ele segue passando por mim como se nunca tivesse me visto na vida. Problemas de amnésia à parte, isso soa como certo descaso para com o eleitor. O eleitor é um anônimo, um nada, nem número temos, nem o nome nos é perguntado, não se quer saber em que trabalhamos, quais as dificuldades que enfrentamos, nossa realidade, nada. Apenas repita comigo “o número é tal e tal, o nome é tal”!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algo interessante aconteceu-me também com outro candidato, que me sugeriu, e a mais dois colegas, escrever sobre o “Analfabeto político” de Brecht, talvez pensando que o dramaturgo alemão confundisse “política” com “votação”. Queria ele saber se eu “sabia quem era Brecht”, se já tinha ouvido falar. Ao respondê-lo não muito me ouviu, pois a expectativa dele era a de que eu desconhecesse a obra do autor de “Galileu”, e das “Perguntas de um operário que lê” – as quais, por acaso, eu já havia citado nesse mesmo espaço do leitor. Mas não parou por aí. Ao defender o quanto era essencial eleger-se para poder fazer algo de bom pela sociedade, o que de outro modo entendia ele ser incapaz de fazer, chegou a dizer, “se você não se elege, você é apenas um cidadão, você tem que estar lá para fazer a diferença”. Ora, eis como todos nós somos vistos por eles: “apenas cidadãos”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não seria o contrário? Não seriam eles sim apenas representantes do cidadão? Não é o cidadão coletivamente quem determina as direções da vida social e seus representantes que fazem valer a sua vontade? Não seria a isso que chamávamos antes de “democracia”? Não, para eles “o cidadão não é ninguém”, não tem número, seu nome não precisa ser perguntado, nem lembrado, sua história não precisa ser conhecida... Portanto, antes de nos exasperarmos por saber quem são os candidatos, respondamos para nós mesmos: Qual deles sabe quem nós somos? Qual deles sabe a que classe social pertencemos? Qual sabe quais os  projetos de transformação social pelos quais nossa classe vem lutando ao longo de nossa história? Qual deles sabe de nossas experiências comunitárias, de nossa organização de base, de nossos movimentos, de nossas lutas? Qual deles nos veio perguntar? Qual deles, ao estar apto a conhecer de nós, pode então realmente fazer-nos conhecer sua prática social e seu compromisso para com a humanidade?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qualquer um já diz, com boas ou más intenções “conheça seu candidato”, pois digamos também aos candidatos “conheçam os seus eleitores”... Mas não o queiram fazer somente no momento em que nos vêm pedir voto ou mandar votar. Que aprendam quem somos convivendo conosco, no trabalho, na comunidade, nos bairros, nas praças, no mercado, nas escolas, nas bibliotecas, nos asilos, nos hospitais, nos postos de saúde, nas lutas de cada dia, que constituem a arena real da vida política, no sentido mais substancial e radical do termo, o qual no tempo triste de eleições se despreza e se esquece.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7888604696228809116-4946318104048846759?l=ninhodesentidos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ninhodesentidos.blogspot.com/feeds/4946318104048846759/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7888604696228809116&amp;postID=4946318104048846759' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7888604696228809116/posts/default/4946318104048846759'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7888604696228809116/posts/default/4946318104048846759'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ninhodesentidos.blogspot.com/2008/10/seu-candidato-conhece-voc.html' title='Seu candidato conhece você?'/><author><name>Achilles Delari Junior</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00363322332993826154</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_mCNX4vGC2uc/Sx8y7-srPgI/AAAAAAAAAHM/CzCo559bAhQ/S220/Nova+Imagem.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7888604696228809116.post-6938491851430286988</id><published>2008-10-01T19:04:00.000-07:00</published><updated>2008-10-01T20:34:38.545-07:00</updated><title type='text'>Mas quem é o analfabeto político?</title><content type='html'>A Tribuna do Povo, Umuarama, quarta-feira, 01 de outubro de 2008.&lt;br /&gt;Coluna "Qual é a sua?"&lt;br /&gt;Por: Paulo Cezar de Souza, Luiz Alexandre Costa e Achilles Delari Junior&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Analfabeto Político&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Bertolt Brecht&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;O pior analfabeto é o analfabeto&lt;/span&gt; &lt;span style="font-style: italic;"&gt;político.&lt;br /&gt;Ele não ouve, não fala, nem&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;participa dos acontecimentos políticos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ele não sabe o custo de vida, o preço&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;do sapato e do remédio dependem&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;das decisões políticas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;O analfabeto político é tão burro&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;que se orgulha e estufa o peito dizendo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;que odeia a política. Não sabe o imbecil&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;que, da sua ignorância política,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;nasce a prostituta, o menor abandonado,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;e o pior de todos os bandidos,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;que é o político vigarista, pilantra, corrupto&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;e lacaio das empresas nacionais&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;e multinacionais.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bertolt Brecht é um dos mais destacados dramaturgos alemães de orientação marxista de todos os tempos. Sua arte está diretamente ligada às propostas socialistas de transformação social revolucionária e estabelecimento de uma nova ordem, na qual a expropriação de uma classe por outra deixe de existir. Um projeto que teve seu momento sobre o planeta, realizou-se apenas em parte, e mais tarde veio a sofrer forte derrota. Contudo, infelizmente, as poesias ou frases militantes de Brecht podem hoje ser usadas até pelos defensores do capitalismo, os adeptos da política de carreira oportunista, entre outros tão oportunistas ou usurpadores, distorcendo o significado original das palavras do poeta. Esquecendo ou escondendo que “decisões políticas” não são apenas as assinaturas dos eleitos no conforto de seus gabinetes, decisões políticas concretas também são tomadas no chão, no bairro, nas associações, nos sindicatos, nos movimentos sociais, e em cada gesto cotidiano nosso na luta por mantermos uma vida digna apesar da elite dirigente, é disso que Brecht deveria falar quanto às “decisões políticas”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um exemplo de significativa distorção das palavras de Brecht é o dos que pensam que o analfabeto político é simplesmente quem não se interessa por eleição e voto. Como se o exercício da política no seu sentido mais profundo e verdadeiro se resumisse ao ato coagido do voto obrigatório dentro do modelo da democracia representativa burguesa, de quatro em quatro anos. Como se “ser político” fosse apenas exercer o ato triste de poder escolher entre o ruim e o pior, para depois estar logo subordinado de novo à vontade das classes dominantes cuja materialização é viabilizada por seus mandatários nas prefeituras, câmaras, senados, governos. Concepção muito pobre de política, e conformista visto que em nenhum momento questiona as contradições reais da sociedade capitalista em seus fundamentos econômicos gerados e perpetuadores dos mais diversos tipos de injustiça, expropriação, opressão e ilusões ideológicas. Sendo assim quando um determinado candidato, só na época de eleição, vem nos perguntar:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic; font-weight: bold;"&gt;— Você já tem candidato?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;E dizemos apenas:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic; font-weight: bold;"&gt;— Meu voto já está definido.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Ainda assim pergunta:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic; font-weight: bold;"&gt;— Está definido de modo consciente?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Respondemos:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic; font-weight: bold;"&gt;— Sim, não sou uma máquina nem um animal, portanto tenho consciência.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Por fim, desesperadamente questiona:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic; font-weight: bold;"&gt;— Mas em quem vai votar?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Cabe-nos esclarecer:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic; font-weight: bold;"&gt;— Não votarei em nenhuma das opções favoráveis à classe dominante!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Então ele não consegue compreender:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic; font-weight: bold;"&gt;— Ora mais então, como é possível? Está pensando em não votar ou anular?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Devemos então finalizar:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic; font-weight: bold;"&gt;— Sobre sua pergunta você mesmo poder responder, cada um faça sua análise e decida.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algumas mentalidades mais ingênuas ou mal intencionadas querem fazer passar a idéia de que não votar ou votar nulo é alienação ou analfabetismo político, contudo não se questionam sobre escolher entre o ruim e o tão ruim quanto, a partir de benefícios secundários e corporativos que cada um dos dois ofereça, é o analfabetismo maior. O analfabetismo político maior é pertencer à classe trabalhadora e votar nos representantes da classe dominante, o analfabetismo maior é acreditar alienadamente que o sistema de democracia formal representativa burguesa que vivemos pode proporcionar algum avanço na direção das transformações sociais radicais que necessitamos para realmente acabar com a expropriação do homem pelo homem. Nesse cenário, votar ou não votar pouquíssima diferença faz. Votarmos pela simples obrigação, para durante os demais quatro anos ficarmos alheios aos desmandos perpetrados com o aval de nosso próprio voto. Mais valeria não votar e passar os mesmos quatro anos atentos e vigilantes a cada passo dos mandatários das classes dominantes exigindo que façam tão somente o que devem fazer na materialização dos princípios constitucionais e de toda a legislação vigente. Algo que deveria independer de sigla. Mas é o contrário: independente de sigla, só têm provado fazer o que favorece as elites. O poder corrompe? Certamente no sistema atual para exercer o poder é preciso estar de algum modo corrompido, traindo princípios originários no caso dos eleitos de esquerda, mantendo a lei do mais forte, originária no caso dos de direita. Assim, quem é o analfabeto político? Existem muitos tipos de analfabeto político e todos nós podemos ser um pouco de cada um deles:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;ANALFABETO POLÍTICO CANDIDATO&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Acha que ser político é ter um número e uma sigla, esquece que a vida política é a vida na polis, na cidade, quer sair da cidade e ir para o gabinete, aliena-se da política real e faz da política de carreira sua vida em favor dos interesses de alguma minoria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;ANALFABETO POLÍTICO INTELECTUAL&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Desde sua cômoda posição em alguma instituição renomada, acha que ser político é ter leitura de livros de sociologia e realizar altíssimas análises para no fim dizer apenas o que desde o início todos sabemos e com cujo peso temos que lidar diariamente: que temos que nos adaptar à flexibilidade do mercado capitalista, e inventar novas formas de sobreviver na selva da concorrência contemporânea.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;ANALFABETO POLÍTICO LEI DE GERSON&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Acha que o voto só é bom se com ele puder levar alguma vantagem e assim fica sempre se perguntando, mas que vantagem eu vou levar se votar nesse ou naquele candidato? O que ele vai me dar agora para eu votar nele? O que ele vai fazer por mim se ganhar, independente do que vai fazer pela sociedade?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;ANALFABETO POLÍTICO CAMALEÃO&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Concorda com tudo e todos, não tem nada a dizer contra o sistema, nem contra ninguém, procura ver o que há de bom em tudo do candidato se está diante dele, mas ao fazê-lo precisa concordar com o mesmo quando esse critica um terceiro. Quando está diante do terceiro usa o mesmo expediente. Está indiferente, não reclamará muito se seu candidato perder, não comemorará muito se ele ganhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;ANALFABETO POLÍTICO FERVOROSO&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Adota uma bandeira ou uma causa eleitoral como se fosse a eleição do seu candidato fosse decisiva para o destino de toda a sociedade, como se seu destino futuro estivesse comprometido caso seu candidato não ganhasse e ele não ascendesse a algum cargo previamente prometido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;ANALFABETO POLÍTICO IDEALISTA&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Não conhece as leis econômicas que regem a sociedade capitalista e acredita que pela via eleitoral é possível “mudar a correlação de forças” e assim favorecer gradualmente o avanço para uma sociedade justa. Enquanto isso, dispõe-se a usar de meios injustos como fazer listagem de defeitos do candidato oposto, para realizar os “fins” supostamente justos, ele acha que os fins justificam os meios, e pensa que está fazendo tudo por amor à causa e não por vaidade, poder ou ambição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E depois dizem que o analfabeto político é o homem do povo que não está interessado nesse mundo estranho que é a política de gabinete. Alienado é o rótulo que sobra para o trabalhador, tanto dado pelos mandatários das elites, quanto pelos pseudointelectuais de esquerda de origem pequeno-burguesa. “A culpa é do povo, que não sabe votar” – dizem os arrogantes “conscientes”. Não saber votar é o mal do homem comum que trabalha de sol a sol, chega em casa exausto, mal come e já desmaia na cama para continuar a lida no dia seguinte e ainda é cobrado de “se informar”, “escolher bem”, “procurar conhecer a história do candidato”. Que história? A que eles mesmos contam? Algum historiador disponibiliza toda a biografia desse cidadão que se candidata? Já pensaram lermos um dossiê de cada um deles? Para conhecer a história de alguém é preciso viver com essa pessoa. Mas qual desses que se candidatam vivem conosco, nos acompanham, sabem quem somos, sabem de nossos projetos, de nossas lutas, de nossas aspirações? Havendo um desses que tão bem conhecêssemos iríamos querer para ele a triste sina de ser mais uma peça a compactuar com esse jogo secular de cartas marcadas? Se não queremos ser analfabetos políticos é preciso aprender a ler essas coisas. No mais antes de queremos alfabetizar quem quer que seja, aprendamos o alfabeto da luta de classes, da expropriação da mais valia e da acumulação do capital, vivamos isso na pele para poder falar melhor sobre o que é. E não o aprendamos apenas nas cartilhas velhas dos partidos traidores da classe.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7888604696228809116-6938491851430286988?l=ninhodesentidos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ninhodesentidos.blogspot.com/feeds/6938491851430286988/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7888604696228809116&amp;postID=6938491851430286988' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7888604696228809116/posts/default/6938491851430286988'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7888604696228809116/posts/default/6938491851430286988'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ninhodesentidos.blogspot.com/2008/10/mas-quem-o-analfabeto-poltico.html' title='Mas quem é o analfabeto político?'/><author><name>Achilles Delari Junior</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00363322332993826154</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_mCNX4vGC2uc/Sx8y7-srPgI/AAAAAAAAAHM/CzCo559bAhQ/S220/Nova+Imagem.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7888604696228809116.post-6715212162645910941</id><published>2008-09-30T16:23:00.000-07:00</published><updated>2008-09-30T23:29:00.007-07:00</updated><title type='text'>JOP: uma jornada rumo ao compromisso social</title><content type='html'>A Tribuna do Povo, Umuarama, Domingo, 28 de setembro de 2008&lt;br /&gt;Coluna "Qual é a sua?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;“ Na futura sociedade, a psicologia será em realidade a ciência do novo homem (...) Entretanto, essa ciência do novo homem será também psicologia”&lt;/span&gt; &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;- Lev Vigotski (1896-1934)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_mCNX4vGC2uc/SOLQl3BK52I/AAAAAAAAACc/EOABn247Xw8/s1600-h/salgado.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://2.bp.blogspot.com/_mCNX4vGC2uc/SOLQl3BK52I/AAAAAAAAACc/EOABn247Xw8/s400/salgado.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5251989464310015842" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Contradições da sociedade capitalista demandam repensar criticamente&lt;br /&gt;teorias e práticas em psicologia. (foto: Sebastião Salgado)&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Realizou-se essa semana no teatro da Unipar de Umuarama, a XII JOP – Jornada de Psicologia, promovida pelo curso dessa área de conhecimento e atuação profissional daquela instituição, contando com maciça e ativa participação dos estudantes da graduação na própria organização do evento e exemplar condução das atividades por parte dos docentes da instituição. A jornada transcorreu como um tempo marcado pelo encontro de estudantes e profissionais da psicologia atuantes em nossa cidade e região com renomadas personalidades que vêm dando sua contribuição em âmbito nacional para os avanços desta ciência e profissão, sobre a qual muitas vezes temos dúvidas quanto à sua real função na sociedade. Um tempo no qual cada um ali presente pôde ouvir um convite reiterado a revermos conceitos conservadores e preconceituosos e a criar práticas sociais condizentes com essa revisão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No senso comum, nossa percepção sobre a função da psicologia e do psicólogo pode variar entre dois extremos: (1) o de acharmos que se trata de algo só posto em prática com pessoas que passam por um extremo sofrimento mental e desintegração das funções da consciência, às quais por falta de conhecimento ou simplificação de vocabulário alguns tendem a chamar apenas de “loucas”; e (2) o de preconcebermos que se trata de algo pouquíssimo útil, utilizado apenas por pessoas mais abastadas que por um capricho, modismo, ou luxo, despendem altas quantias de dinheiro para falarem, num contexto de quatro paredes protegidas por sigilo, algo sobre si mesmas que poderiam falar para um amigo leal se o tivessem. Entre esses dois extremos, exageros, outras visões simplificadas sobre a psicologia e o trabalho do psicólogo podem se construir, com fundamento ou não na realidade, como, por exemplo, (3) a que o reduz àquele profissional que aplica testes para estabelecer ou não se temos capacidades intelectuais e emocionais adequadas para guiarmos um veículo automotivo; ou (4) àquele que define se as crianças devem ou não ir ou permanecer em salas especiais, caso a escola não consiga proporcionar por conta própria as condições adequadas para que se aproprie dos conhecimentos que são sua função socializar; entre outros modos estereotipados de pensarmos o papel social do psicólogo. Contudo, essas visões mais distorcidas, como “1” e “2”, ou simplificadas e rebatidas numa única imagem de medida, categorização, interdição ou triagem de seres humanos para poderem ou não realizar algo, como “3” e “4”, não correspondem à riqueza do conhecimento psicológico, construído historicamente ao longo de cerca de vinte e cinco séculos de pensamento ocidental sistemático, e de mais de cem anos de busca de um lugar na arena do discurso científico moderno. Nesta XII JOP, pudemos ter algumas pistas disso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na terça-feira (23/09), um momento muito marcante foi a mesa redonda “Atendimento Clínico Infantil”, na qual as psicólogas Vera Lúcia Dolenz e Maribel de Salles de Melo falaram sobre as possibilidades de trabalho terapêutico com bebês, nas quais o profissional de psicologia intervém no sentido de potencializar capacidades de crianças pequenas de modo a superarem dificuldades decorrentes de transtornos neurológicos. Mostrando o quanto o cérebro humano é suficientemente plástico para utilizar as áreas preservadas em substituição às porventura lesionadas seja por problema congênito seja por seqüela de alguma doença, desde que sejam proporcionadas as mediações necessárias por parte de uma pessoa capacitada. Um trabalho muito sério que nos desperta admiração e também esperança no sentido de desenvolvimento de avanços futuros. Trata-se da “clínica da intervenção precoce”, ou seja, deve-se agir adiantando-se às conseqüências posteriores do dano orgânico sofrido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na quarta-feira (24/09), a psicóloga Neuza Maria de Fátima Guareschi e a coordenadora estadual de saúde mental, também psicóloga Cleuse Barleta, trouxeram importantes reflexões sobre a forma atual de pensar a questão do sofrimento mental, como preveni-lo e tratá-lo, sobretudo no sentido de pensar essa questão do ponto de vista da Saúde Coletiva, entendendo que as nossas possibilidades de viver bem, viver melhor, dependem sobremaneira das condições materiais e humanas que a sociedade proporciona a cada pessoa. Neuza Guareschi, especialmente, destacou a necessidade de a psicologia não ficar presa a modelos teóricos como se fossem mais importantes do que a realidade humana em nossas vivências mais singulares e significativas, de modo que cabe ao psicólogo, sobretudo, ocupar-se de produzir uma intervenção criativa e eficaz sobre a realidade de acordo com os princípios que regem essa mesma realidade, e com os sentidos que as pessoas coletivamente produzem para ela. Desse modo, o profissional de psicologia estará apto a atuar em diferentes frentes sociais na promoção de saúde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na quintafeira (25/09) houve uma conferência com a psicóloga Ana Mercês Bahia Bock, que tratou da formação do psicólogo voltada ao projeto do compromisso social. Ela fez um resgate histórico da profissão do psicólogo no Brasil, mostrando que ela nasce de um forte compromisso com as elites, mas que ao mesmo tempo, no período da ditadura militar no Brasil, muitos profissionais da área participaram de movimentos de resistência e começaram a lançar as bases de um novo tipo de compromisso social para a psicologia. Uma vez que o modelo de ciência psicológica importado da Europa e dos EUA não atende às particularidades da formação social da consciência e da personalidade de uma grande maioria da população de nosso país. Disse ainda, de certo modo reiterando a preocupação de Neuza Guareschi, que cabe ao psicólogo buscar as teorias que melhor dêem conta da realidade, e não forçar as realidades a confirmarem nossas teorias apenas para mantermos o poder de parecermos ser os únicos a dizer o que é correto sobre as coisas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por fim, na sexta-feira (26-09) tivemos mais uma mesa redonda desta vez sobre as novas direções para o trabalho do psicólogo na escola e no campo da educação de modo geral. Muito interessante a abordagem realizada pelas psicólogas Marilene Proença Rebello de Souza e Marilda Gonçalves Dias Facci, mostrando que a educação é um aspecto fundamental na formação da consciência e de personalidade de todo ser humano, não devendo então ser uma preocupação apenas do psicólogo que trabalha na escola. Destacaram ainda a necessidade de uma forte base teórica para a formação do psicólogo que pretende atuar de forma transformadora orientado por um projeto de compromisso social. Enfatizaram a necessidade de não menosprezarmos a capacidade dos alunos aprenderem, posto que se trata de uma necessidade humana vital, cabendo assim à sociedade prover as mediações simbólicas (fala, escrita, cálculo, conceitos científicos, etc.) e instrumentais (domínio das mais diferentes ferramentas para a transformação da natureza) necessárias para o desenvolvimento do aluno naquilo que há de especificamente de humano em nós (consciência, linguagem, trabalho, arte, ciência, cultura).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diante de tantas contribuições tão ricas e tão convidativas a uma atitude mais humana por parte do próprio psicólogo, temos a clara impressão de que a jornada mesmo está apenas começando e que não se trata de um percurso que se possa trilhar de modo solitário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_mCNX4vGC2uc/SOMYe9NO3nI/AAAAAAAAACs/dNSVd3HMdDM/s1600-h/coralunipar.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://3.bp.blogspot.com/_mCNX4vGC2uc/SOMYe9NO3nI/AAAAAAAAACs/dNSVd3HMdDM/s400/coralunipar.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5252068510549335666" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Coral regido pela professora Edlayni, apresenta Caçador de Mim&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;- segundo ela "um hino da psicologia"&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_mCNX4vGC2uc/SOMXbVYt6vI/AAAAAAAAACk/44FSLfsEfNY/s1600-h/profess%2Bbock.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://4.bp.blogspot.com/_mCNX4vGC2uc/SOMXbVYt6vI/AAAAAAAAACk/44FSLfsEfNY/s400/profess%2Bbock.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5252067348808854258" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;A psicológa Ana Bock junto aos professores da Psicologia&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7888604696228809116-6715212162645910941?l=ninhodesentidos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ninhodesentidos.blogspot.com/feeds/6715212162645910941/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7888604696228809116&amp;postID=6715212162645910941' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7888604696228809116/posts/default/6715212162645910941'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7888604696228809116/posts/default/6715212162645910941'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ninhodesentidos.blogspot.com/2008/09/jop-uma-jornada-rumo-ao-compromisso.html' title='JOP: uma jornada rumo ao compromisso social'/><author><name>Achilles Delari Junior</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00363322332993826154</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_mCNX4vGC2uc/Sx8y7-srPgI/AAAAAAAAAHM/CzCo559bAhQ/S220/Nova+Imagem.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_mCNX4vGC2uc/SOLQl3BK52I/AAAAAAAAACc/EOABn247Xw8/s72-c/salgado.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7888604696228809116.post-8145024042162588729</id><published>2008-08-19T16:48:00.000-07:00</published><updated>2008-08-19T17:00:49.367-07:00</updated><title type='text'>Pelas trilhas da mentira</title><content type='html'>A Tribuna do Povo, Umuarama, quarta-feira, 20 de agosto de 2008&lt;br /&gt;Espaço do Leitor&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mentira é um tema intrigante... Em tempos de campanha eleitoral não temos como não lembrar dela. De fato, esse é um dispositivo da linguagem humana sem o qual muitas vezes não conseguimos lidar com as verdades mais contundentes e avassaladoras de nossa existência, pois, como disse um pensador contemporâneo: “Se o homem soubesse a verdade, não a suportaria”. Talvez a verdade nua e crua, a mais profunda, a mais brutal, a mais elevada e a mais sublime, não possa ser comportada por nossas almas frágeis, acostumadas a crer que o verdadeiro no mundo e na vida é tão somente o que condiz com nossas crenças sobre o que sejam as coisas e nós mesmos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mentira está onde está o ser humano. Não se ouve falar de uma pedra mentindo... Uma árvore, uma abelha, um peixe, ou um lobo mentindo... O rio ou o mar poderiam mentir? A nuvem, a chuva, o raio ou o trovão? Poderia a noite mentir que é dia, e o dia que é noite? Em toda a natureza parece que somos apenas nós os seres com o privilégio do “dom de iludir”. Mas as mentiras são diferentes em cada caso. Há a mentira deslavada das promessas inexeqüíveis dos políticos para fazer crer que cada um deles é a salvação para a vida da coletividade. Há a mentira da propaganda na tevê ou do jornal pretendendo nos fazer crer que aquele produto ou assunto é de importância vital para nossa felicidade. Mas há a mentira do marido ou da esposa que trai e diz ser seu companheiro ou companheira o único amor de sua vida. Há ainda a mentira do sonegador de impostos, do agiota, do funcionário corrupto, do estelionatário, do golpista, do coordenador de projeto que falsifica dados no seu relatório, do secretário que acoberta esse coordenador, não tão diferentes das do político e dos seus marketeiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas talvez não todas idênticas, já que há mentiras que a lei tem como punir, outras nem tanto. Por vezes, mentimos para nós mesmos iludindo-nos de que a lei realmente possa ser cumprida com eqüidade e isenção, num país substancialmente injusto como o nosso. Há ainda os que digam que “na verdade”, o que temos é que “no papel é de um jeito, mas na prática é de outro” – fala essa também capaz de ser usada de má fé, pois se não for para cumprir o que está escrito, melhor que não se escrevesse. Olhar para a letra da lei e não poder pôla em prática é neurotizante, patogênico, mas qual o perigo maior: a lei que é feita para não ser cumprida ou a retórica de que a escrita não tem valor e de que a única lei que vale é a do mais forte ou a da adequação aos interesses da elite dirigente?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como dizem os estudiosos do campo da ética, a mentira não tem a ver com “dizer algo não condizente com a realidade”, mas sim com “a intenção de enganar”. Em todos os nossos exemplos anteriores está a intenção de enganar, ou de enganar-se. Quanto ao “enganar-se” as coisas se complicam, pois a mentira se aproxima de verdade pessoal. Mas, atenhamo-nos a essa distinção de que a mentira não é necessariamente o que não corresponde à realidade. O exemplo clássico dado por um estudioso, é o de uma pessoa que abriga um foragido político em sua casa num tempo de ditadura militar. Os agentes da repressão chegam a sua casa e perguntam: “Ele está aí?”. E a pessoa mentindo responde “Não, não está, já se foi!”... Os agentes não acreditam, então invadem a casa e fazem uma busca. Mas, de fato, o foragido não estava mais lá – tinha saído pela janela! A pessoa que havia dito que ele não estava havia então dito algo que correspondia aos fatos, mas o ato continuava sendo o de uma mentira ainda assim, pois pretendia enganar, imaginando que ele estivesse lá. Ao contrário, se em minha pasta é posto, por outra pessoa, um documento de que não tenho conhecimento, e para alguém que me pergunta se ele está lá eu digo que não, não estarei mentindo se minha intenção não é enganar, pois não teria conhecimento do fato. Mesmo que minha compreensão não condiga com a realidade, foi um equívoco, não uma mentira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nisso se vê, portanto, que a mentira não é um problema “cognitivo”, isto é, relativo ao correto conhecimento da realidade, mas sim um problema ético, isto é, relativo às nossas atitudes morais em termos de valores que atribuímos para o certo e o errado. Além disso, no exemplo do acobertamento de um foragido político, notamos também que há mentiras que podem ser voltadas à realização de um bem maior. Pode-se mentir para uma pessoa que está com uma doença terminal, com o intuito de não deixá-la extremamente abatida moralmente, o que a faria mais vulnerável à própria doença e diminuir seu tempo e qualidade de vida. Pode-se mentir sob tortura para não entregar um companheiro de luta, ou comprometer toda a causa revolucionária. Pode-se, mesmo, mentir para um criminoso que está procurando por uma pessoa que nos seja querida para fazer-lhe mal ou por um bem precioso nosso para tirá-lo de nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além dessas mentiras, para algo justo ou injusto, temos a clássica mentira do pescador, que poderia ser considerada uma “falsa mentira”, na medida em que não se pode crer que o mentiroso tenha realmente a franca intenção de enganar, uma vez que seus exageros já se tornam parte de um folclore que mais tem a ver com bom humor e provocação do que com falha moral ou necessidade de ludibriar um inimigo que nos venha prejudicar. Por fim, e não menos relevante, temos a “mentira” do poeta... Como escreve Fernando Pessoa, em sua “Autopsicografia”: “O poeta é um fingidor / Finge tão completamente / Que chega a fingir que é dor / A dor que deveras sente.” Fica-nos o sentimento de que a arte com suas mentiras, fingimentos, vem nos dizer verdades, e nisso me reporto não só a erudição do grande poeta mas também às artes mais difundidas das telenovelas, dos esportes olímpicos, nas quais as mentiras, exageros, ilusões, sobre algum trajeto de herói com o qual nos identificamos acabam nos sendo mentiras necessárias, tão humanas, quase como aquelas de omitir ao doente terminal sua fatalidade, quase como a de escondermos algo valoroso e importante do repressor, do ladrão e do político.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se nesse instante o tom dessa fala se torna mais ácido, é por eu não ter a virtude de fingidor do poeta ou, então, por eu já fingir ser mais duro do que de fato seja. No fundo talvez queira apenas dizer, como Chico Buarque, que “Hoje eu tenho apenas / Uma pedra no meu peito / Exijo respeito / Não sou mais um sonhador / Chego a mudar de calçada / Quando aparece uma flor / E dou risada do grande amor”... — Mentira!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7888604696228809116-8145024042162588729?l=ninhodesentidos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ninhodesentidos.blogspot.com/feeds/8145024042162588729/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7888604696228809116&amp;postID=8145024042162588729' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7888604696228809116/posts/default/8145024042162588729'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7888604696228809116/posts/default/8145024042162588729'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ninhodesentidos.blogspot.com/2008/08/pelas-trilhas-da-mentira.html' title='Pelas trilhas da mentira'/><author><name>Achilles Delari Junior</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00363322332993826154</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_mCNX4vGC2uc/Sx8y7-srPgI/AAAAAAAAAHM/CzCo559bAhQ/S220/Nova+Imagem.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7888604696228809116.post-7656746517517899550</id><published>2008-08-18T08:20:00.000-07:00</published><updated>2008-08-18T08:50:14.521-07:00</updated><title type='text'>Vontade de Alegria</title><content type='html'>A Tribuna do Povo, Umuarama, quarta-feira, 13 de agosto de 2008&lt;br /&gt;Coluna "Qual é a sua?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_mCNX4vGC2uc/SKmU8-MbYmI/AAAAAAAAAB0/U-X_rtwwRrU/s1600-h/espinosa.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://2.bp.blogspot.com/_mCNX4vGC2uc/SKmU8-MbYmI/AAAAAAAAAB0/U-X_rtwwRrU/s400/espinosa.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5235879817003098722" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;“A alegria é a passagem do&lt;/span&gt; &lt;span style="font-weight: bold;"&gt; homem de uma perfeição&lt;/span&gt; &lt;span style="font-weight: bold;"&gt; menor para uma maior”&lt;/span&gt; &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;br /&gt;— BARUCH DE ESPINOSA (1632-1677)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No tempo dúbio em que vivemos, falar de coisas boas torna-se difícil. Pois de tantos desmandos, que se vêem diariamente, dois efeitos surgem: 1) coisas ruins parecem ter mais audiência; 2) das notícias boas se desconfia serem mentiras usadas para manipular. Assim temas como a vida, o amor e a alegria se tornam difíceis. Ora eles são capturados na direção de obtenção de ganhos políticos e comerciais, pela manipulação da propaganda com suas belas frases que se pensa vir de quem as divulga, mas são peças pagas para serem feitas por outras pessoas. Ora tais temas ficam muito superficiais, também enganosos, como foco de textos de auto-ajuda permeados por uma ideologia de que seja extremamente fácil viver e então se há sofrimento na vida de alguém só quem sofre é o culpado. Viver não é absolutamente fácil, pelo menos não para a maioria, contudo a coragem de lutar pela vida não precisa se transformar em amargura e ressentimento, o que também seria uma armadilha para a consciência e uma prisão para a existência. Podemos tomar a atitude de vivermos, amarmos e sermos alegres também como um ato de coragem, o qual podemos assumir de bom grado, mas que não deixa de nos solicitar uma disponibilidade de espírito. O filósofo Espinosa via a alegria não como um gozo qualquer, mas como a passagem da alma de um estado inferior para um superior. O estado superior é aquele em que a vida tem mais potência e somos capazes de compor com o mundo, com as pessoas, conosco... A alegria é o processo de ampliarmos nossas referências, nossas capacidades, nossas virtudes. Uma alegria que não é de superfície. Nesse sentido, nem toda lágrima é triste e nem todo riso é alegre. Se um riso me aliena e me paralisa, pode ser considerado triste, como quando rimos da desgraça alheia. Se uma lágrima me renova e me faz ir além, pode ser alegre, como quando um ato nobre nos comove. De todo modo, como disse Gaston Courtois, “Alegria adquire-se. Ser alegre não é fácil, é um ato de vontade”. Assim nossa passagem de um estado menos avançado da alma para um mais avançado nos custa um trabalho por realizarmos e uma conquista por alcançarmos. Talvez a única de que realmente tenhamos inalienável necessidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_mCNX4vGC2uc/SKmVbYUAjrI/AAAAAAAAACE/oDVO7ygOac4/s1600-h/matisse6sh.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://1.bp.blogspot.com/_mCNX4vGC2uc/SKmVbYUAjrI/AAAAAAAAACE/oDVO7ygOac4/s400/matisse6sh.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5235880339410292402" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;“Alegria de viver”, obra do artista francês Henri Matisse (1869-1954)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A alegria adquire-se. É uma&lt;br /&gt;atitude de coragem. Ser alegre&lt;br /&gt;não é fácil, é um ato de vontade.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;(Gaston Courtois)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há duas fontes perenes de&lt;br /&gt;alegria pura: o bem realizado&lt;br /&gt;e o dever cumprido.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;(Eduardo Girão)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma alegria compartilhada&lt;br /&gt;transforma-se numa dupla alegria;&lt;br /&gt;uma tristeza compartilhada&lt;br /&gt;em meia tristeza.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;(Autor desconhecido)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escreves-me e eu copio “A minha alegria é a minha paz.&lt;br /&gt;Nunca poderei ter verdadeira alegria se não tiver paz. E o que&lt;br /&gt;é a paz? A paz é conseqüência da vitória. A paz exige de mim&lt;br /&gt;uma contínua luta. Sem luta, não poderei ter paz”.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;(Josemaría Escrivá)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ter saudades do passado&lt;br /&gt;é correr atrás do vento.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;(Provérbio russo)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As pessoas são solitárias&lt;br /&gt;porque constroem paredes em&lt;br /&gt;vez de pontes.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;(Joseph F. Newton)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A morte não pode ser verdade&lt;br /&gt;enquanto não desaparecer&lt;br /&gt;a alegria do coração do ser humano.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;(Tagore, escritor indiano)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A alegria está na luta, na tentativa,&lt;br /&gt;no sofrimento envolvido.&lt;br /&gt;Não na vitória propriamente dita.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;(Mahatma Gandhi)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O prazer dos grandes homens&lt;br /&gt;consiste em fazer outros felizes.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;(Pascal)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A prova mais clara de sabedoria&lt;br /&gt;é uma alegria constante.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;(Michel de la Montaigne)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Procuremos acender uma&lt;br /&gt;vela em vez de amaldiçoar a escuridão.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;(Provérbio chinês)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O riso é a distância mais curta&lt;br /&gt;entre duas pessoas.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;(Victor Borge)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7888604696228809116-7656746517517899550?l=ninhodesentidos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ninhodesentidos.blogspot.com/feeds/7656746517517899550/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7888604696228809116&amp;postID=7656746517517899550' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7888604696228809116/posts/default/7656746517517899550'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7888604696228809116/posts/default/7656746517517899550'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ninhodesentidos.blogspot.com/2008/08/vontade-de-alegria.html' title='Vontade de Alegria'/><author><name>Achilles Delari Junior</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00363322332993826154</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_mCNX4vGC2uc/Sx8y7-srPgI/AAAAAAAAAHM/CzCo559bAhQ/S220/Nova+Imagem.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_mCNX4vGC2uc/SKmU8-MbYmI/AAAAAAAAAB0/U-X_rtwwRrU/s72-c/espinosa.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7888604696228809116.post-8968348630748729390</id><published>2008-07-10T18:23:00.000-07:00</published><updated>2008-07-10T19:25:05.420-07:00</updated><title type='text'>A banalização da palavra "democracia"</title><content type='html'>A Tribuna do Povo, Umuarama, sexta-feira, 11 de julho de 2008&lt;br /&gt;Espaço do Leitor&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fala-se tanto em democracia que se chega a passar a ilusão de que estejamos em uma. Não há mal em desejar que venhamos a ter democracia, embora o desejo muito afoito possa nos fazer correr o perigo de usar meios que não condigam com os fins, como se passa com alguns movimentos de extrema esquerda ainda hoje. Mas o mal maior não é esse anseio por revolucionar a sociedade e torná-la de fato democrática. O mal maior está em acreditar que já tenhamos, de fato, democracia, de tal modo que nos fechemos no entendimento de que não seja mais preciso lutar para conquistá-la. A palavra democracia banaliza-se por estar nos discursos tanto de direita quanto de esquerda, se é que ela ainda existe, sendo utilizada como figura de retórica tanto para favorecer poderes instituídos, quanto por forças políticas sedentas por ascender ao poder de Estado. Para pensar criticamente o processo pelo qual nos iludimos de que exista realmente democracia em nosso país, partirei da contribuição do pensador alemão Herbert Marcuse e passarei em seguida a exemplificar o caráter enganoso da retórica da democracia entre nós e seu caráter alienante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marcuse criticou um processo ideológico, um falseamento da realidade, chamado “fechamento do universo da locução”. Que seria esse processo? O fechamento ocorre quando começamos a tomar palavras contraditórias como se não tivessem nenhuma contradição, como se fossem verdades inquestionáveis. Ele dá o exemplo da linguagem do livro “1984” de George Orwell, obra onde aparece o personagem “Grande Irmão” (Big Brother), um líder autoritário que colocava uma câmera na casa de todas as pessoas podendo vigiar cada ato delas. A linguagem do “Ingsoc”, partido do Grande Irmão, era a “Novilíngua”. Nessa linguagem havia uma redução do sentido das palavras e um apagamento das suas contradições. Como exemplo, tínhamos o lema “Guerra é paz”, passado à população do país do Grande Irmão como se não tivesse contradição, como se fosse um enunciado natural, óbvio e sem conflito. Assim também conosco: “Temos democracia”, “Voto é democracia” e assim por diante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contudo, há uma diferença fundamental de sentidos para a palavra democracia que é apagada entre nós. A diferença entre “democracia formal” e “democracia substancial”. A democracia formal é aquela de leis e princípios abstratos, como “direito de ir e vir”, “liberdade de expressão”,  “direito ao voto”. A democracia substancial é aquela em que esses princípios não são só palavras abstratas mas potências que se realizam concretamente para todos em igual intensidade, conteúdo e qualidade, no benefício igualitário de toda a coletividade. A democracia substancial só pode acontecer se se acrescenta aos preceitos da democracia formal a concretude da democratização dos bens econômicos, a socialização das riquezas que os trabalhadores produzem, mas que são apropriadas apenas por alguns poucos privilegiados proprietários dos meios de produção. Enquanto não há a democratização dos bens econômicos, a democracia formal é apenas uma ideologia que esconde as injustiças que a sociedade capitalista comete sob eufemismos como os de Lula: “Num continente onde impera a democracia”. Não há democracia substancial nem na América Latina, nem no Brasil. Não há socialização, divisão igualitária, dos bens econômicos. E, enquanto não houver isso, a democracia formal permanecerá uma estrutura que sustenta e é sustentada por um discurso vazio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Temos “direito de ir e vir”, mas quem vai e quem vem? Para onde posso ir e para onde não posso ir? Eu tenho direito de ir a Maringá para consultar uma biblioteca de uma faculdade pública de psicologia, mas posso ir sempre que preciso? O que determina se posso ir? O meu poder aquisitivo, tão somente. Na minha cidade não há uma faculdade cuja biblioteca com livros nessa área possa ser consultada pela população. Eu tenho direito de ler o que quer que seja, desde que possa comprar os livros que queira ler. Eu tenho direto de ir a qualquer país do mundo para um intercâmbio cultural, científico ou a passeio. Mas eu posso ir? O que determina se posso ir não é a democracia formal. O que determina é o poder econômico. Temos “liberdade de expressão”, mas quem se expressa? Onde e quando eu posso me expressar e dizer o que penso? Em que veículos? Toda a população tem o privilégio como o meu aqui de escrever para um jornal de circulação regional? Todos, digamos, sabem já ao menos escrever? Que dizer de expressarmo-nos pela televisão, pelo rádio, ou até pela internet? É preciso “ter” para “poder” exercer direitos, e o direito a ter é igualmente distribuído? Temos o “direito de voto”. Seria direito mesmo ou obrigação? Temos o direito de voto, mas podemos fazer com que o eleito cumpra a vontade do povo? Temos o direito de cobrar, mas podemos estar certos de que seremos atendidos? O fato é que aqueles que estão no poder, pelo aval do voto, dito democrático, se favorecem disso em sua retórica de modo a nos vender a idéia de que a sociedade está em harmonia, quando o conflito social só faz continuar e fazer mais vítimas fatais a cada dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O “direito de ir para algum lugar” mais democraticamente difundido é apenas o de irmos todos para a morte. A “liberdade de expressar algo” mais democraticamente difundida é apenas a de calarmo-nos ao ver que de nada adianta escrever e falar. O “direito ao voto” mais democraticamente difundido é o da obrigação de ir às urnas para que aquele que sobe ao poder possa se favorecer do número de votantes para legitimar suas ingerências assim que lá estiver, sob o eufemismo “estou aqui pela vontade do povo”. Vivemos no interior de uma contradição essencial entre realidade concreta e formações discursivas, ideológicas. O atual conceito de democracia com o qual lidamos é permeado pelo ideário da Revolução Francesa, que trouxe o sonho com uma universalização de direitos que a humanidade não tinha até então concebido, nem mesmo no auge da democracia ateniense. Ocorre que a democracia grega se aplicava apenas a 10% da população de Atenas, ou seja, apenas para os homens, adultos, gregos e senhores. Para mulheres, crianças, estrangeiros e escravos, nada de democracia. O que vivemos hoje se assemelha a uma mistura mal composta do elitismo aristocrático da democracia grega com o ideal imaginário da democracia burguesa que nunca se concretizou. Um mundo na prática escravagista, xenofóbico e machista, mas, no campo das idéias, permeado por valores universalistas e liberais que encantam, convencem e criam adeptos no mundo inteiro, mas nunca se concretizam, apenas anestesiam consciências ou as fazem adoecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa profunda ruptura entre mundo ideal e vivência concreta nos trás tanto a alienação que distorce os fatos para tentar confirmar os ideais que povoam a imaginação, ou neurose por ver que aquilo com que sonhamos nunca se realiza. Sendo assim, a retórica da ideologia dominante banaliza a palavra democracia e fecha o universo da locução. Abrir esse universo criticamente é um processo doloroso... E a sua expressão vem em tom melancólico com um gosto amargo na boca de quem pronuncia a crítica. Contudo, mais valor dá a democracia substancial quem sabe que ela nos faz falta e precisa ser aindaconquistada, do que quem se ilude de que ela já exista ou se esgote na democracia formal, não havendo então nada de profundo a ser mudado no atual regime social. Se eu sei que ela me falta, posso ainda nutrir algum desejo por ela – e a democracia será para mim algo mais importante, menos banal.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7888604696228809116-8968348630748729390?l=ninhodesentidos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ninhodesentidos.blogspot.com/feeds/8968348630748729390/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7888604696228809116&amp;postID=8968348630748729390' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7888604696228809116/posts/default/8968348630748729390'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7888604696228809116/posts/default/8968348630748729390'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ninhodesentidos.blogspot.com/2008/07/banalizao-da-palavra-democracia.html' title='A banalização da palavra &quot;democracia&quot;'/><author><name>Achilles Delari Junior</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00363322332993826154</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_mCNX4vGC2uc/Sx8y7-srPgI/AAAAAAAAAHM/CzCo559bAhQ/S220/Nova+Imagem.png'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7888604696228809116.post-5339384225619406105</id><published>2008-07-08T17:55:00.000-07:00</published><updated>2008-11-15T04:28:51.361-08:00</updated><title type='text'>Só o amor pode criar beleza</title><content type='html'>A Tribuna do Povo, Umuarama, quarta-feira, 09 de julho de 2008&lt;br /&gt;Coluna "Qual é a sua?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;font-size:100%;" &gt;“O desamor, a indiferença jamais podem ser capazes de desenvolver forças suficientes como para demorar intensamente por sobre o objeto, fixando e modelando cada pormenor e detalhe dele. Só amor pode ser esteticamente produtivo, só em uma relação com o amado é possível a plenitude do múltiplo&lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold;font-size:100%;" &gt;”&lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold;font-size:100%;" &gt;&lt;br /&gt;(Bakhtin em&lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold;font-size:100%;" &gt;“&lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold;font-size:100%;" &gt;Para uma filosofia do ato ético&lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold;font-size:100%;" &gt;”&lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold;font-size:100%;" &gt;)&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;font-size:100%;" &gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://sites.uol.com.br/delari/bakhtin.htm"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://2.bp.blogspot.com/_mCNX4vGC2uc/SHQbF2dwL0I/AAAAAAAAABs/KIxbh9Q0mEo/s400/Bakhtin1+c%C3%B3pia.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5220827655362850626" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Mikhail M. Bakhtin (1895-1975)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Nunca tinha parado para pensar nisso, mas para um artista se dedicar tempo suficiente por sobre um objeto de modo a transformá-lo em algo belo, deve haver amor motivando a ação. Como quando se fala em extrair uma estátua da pedra bruta... Há dedicação ali, há um tempo trabalhado por sobre a matéria. Como poderia alguém indiferente demorar tão intensamente por sobre o objeto? Como poderia alguém com ódio ou desamor dedicar-se ao ponto de talhar detalhe por detalhe até encontrar a forma mais perfeita? Sim, um crítico poderia dizer: “sob coerção também se produz coisas belas”... Escravos no Egito construíram as pirâmides, e são belas. Operários no Brasil constroem belas cidades e monumentos, e pode ser apenas pela coação da necessidade de sobrevivência. Mas será que não se nota algum gesto de amor nesse ato, no qual se está coagido pela necessidade de sustentar a própria família e garantir-lhe algum futuro? Como produzir algo bem feito, trabalhando tão somente com base no desamor ou na indiferença? Como pode alguém que não tem o mínimo gosto pelo que faz, que seja pelo fato de extrair disso o sustento dos que ama, ser um trabalhador eficiente? Talvez, nesse caso, possa ser capaz de produzir algo apenas útil, mas não necessariamente belo. Mas, como diz uma canção popular: “tudo o que move é sagrado”... E apesar de o trabalhador não receber a devida remuneração pelo faz, sendo expropriado pelo proprietário dos meios de produção na sociedade capitalista, ainda assim constrói coisas belas, de modo que a necessidade de investir aí algum empenho, algum gesto amoroso, permanece. Não um amor romântico, entre homem e mulher, mas amor à família, à humanidade e à própria vida, senão ao próprio ato de fazer algo bem feito, mesmo quando o reconhecimento não vem “de cima” – o que não é simples de se realizar, mas que está no cerne do compromisso próprio de cada ato ético nosso (cada ação a que atribuímos valores). Ato esse mediante o qual nossa vida implica uma responsabilidade e realiza uma obra singular, irrepetível, que ninguém poderia fazer no nosso lugar. Atos desse tipo, a cada dia, realizados pelo artista, pela dona de casa, pela costureira, pelo operário, pelo mestre de obras, pelo camponês, pelo professor, pelo escritor, pelo jornalista, pelo diagramador, entre tantos outros, são capazes de criar belezas que muitas vezes não paramos para admirar, mas sem as quais o que há de bom no mundo que conhecemos não existiria. O desamor e a indiferença são impeditivos de nossa potência de vida, já o amor é a própria realização dela, no ato de compormo-nos com os outros, com isso compondo também o nosso verso, para a grande peça que sempre continua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_mCNX4vGC2uc/SHQXxsvjIJI/AAAAAAAAABc/2dQ9rGmFAyY/s1600-h/572px-Michelangelo%27s_Pieta_5450_cropncleaned.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://4.bp.blogspot.com/_mCNX4vGC2uc/SHQXxsvjIJI/AAAAAAAAABc/2dQ9rGmFAyY/s400/572px-Michelangelo%27s_Pieta_5450_cropncleaned.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5220824010620870802" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;“Pieta”, obra esculpida por Michelangelo:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;poderia ser um ato de desamor?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_mCNX4vGC2uc/SHQYMsbiXhI/AAAAAAAAABk/6jNCqP84jo4/s1600-h/497px-Cristo_Redentor_-_Rio.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://3.bp.blogspot.com/_mCNX4vGC2uc/SHQYMsbiXhI/AAAAAAAAABk/6jNCqP84jo4/s400/497px-Cristo_Redentor_-_Rio.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5220824474393402898" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;“Cristo Redentor”: obra erguida por trabalhadores brasileiros:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;poderia ser um ato de indiferença?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7888604696228809116-5339384225619406105?l=ninhodesentidos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ninhodesentidos.blogspot.com/feeds/5339384225619406105/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7888604696228809116&amp;postID=5339384225619406105' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7888604696228809116/posts/default/5339384225619406105'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7888604696228809116/posts/default/5339384225619406105'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ninhodesentidos.blogspot.com/2008/07/s-o-amor-pode-criar-beleza.html' title='Só o amor pode criar beleza'/><author><name>Achilles Delari Junior</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00363322332993826154</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_mCNX4vGC2uc/Sx8y7-srPgI/AAAAAAAAAHM/CzCo559bAhQ/S220/Nova+Imagem.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_mCNX4vGC2uc/SHQbF2dwL0I/AAAAAAAAABs/KIxbh9Q0mEo/s72-c/Bakhtin1+c%C3%B3pia.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7888604696228809116.post-2617922753378928798</id><published>2008-07-08T17:37:00.000-07:00</published><updated>2008-07-08T17:53:20.779-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sartre'/><title type='text'>Defesa do voto nulo</title><content type='html'>A Tribuna do Povo, Umuarama, domingo, 06 de julho de 2008&lt;br /&gt;Espaço do leitor&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como artigo de opinião, este texto expressa uma crítica pessoal, não uma análise científica, nem uma conclamação a uma causa coletiva. Estes, se necessários, seriam feitos num momento e veículo adequados. Além disso, nossas análises estruturais, sejam pessoais ou fruto de discussão coletiva, deverão sempre se confrontar com as determinações conjunturais, que se modificam no tempo e no espaço e definem nossas possibilidades de decidir por este ou aquele caminho, no momento certo... Ou seja, de acordo com a conjuntura (situação sócio-política determinada), cada pessoa, grupo ou segmento, decide o que fazer em função do que eticamente conceitua como bem comum. Contudo, mesmo sem conclamar, faço aqui um convite à reflexão sobre o porquê conceitual-estrutural da atual possibilidade concreta do voto nulo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em primeiro lugar está simplesmente a expressão sincera e consciente de que nenhuma das opções que se apresenta é realmente, substancialmente, satisfatória. Durante quase duas décadas votando, tenho me pautado na máxima “em política sempre há o pior” e, assim, em última análise: deve-se ficar, no mínimo, com o “menos ruim”. É um princípio que tem lógica, mas cansa e, sobretudo, ilude, pois em seguida o “menos ruim” prova ser “tão ruim quanto”, ou até nos fica a impressão de que chega a ser até pior – pois quem está no poder tornase sempre pior do que quando estava na oposição. Se na próxima oportunidade fazemos a opção contrária (de minha parte nunca a fiz, sempre votei num mesmo partido ou suas coligações), nada nos garante que o mesmo expediente não se repita. Então, num tempo em que esquerda e direita têm discursos indistintos, em que os interesses pessoais e corporativos sempre se sobressaem sobre os coletivos e os projetos mais profundos, começa a se configurar uma situação quase trágica, quase cômica, em que notamos que nossas decisões nas urnas não refletem a garantia de satisfação de nossos anseios mais verdadeiros nas gestões. Em seguida apresentarei quatro argumentos contra o voto nulo e direi por que os considero falaciosos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(1) &lt;span style="font-style: italic;"&gt;“Quem vota nulo não pode cobrar depois de quem ganhou”&lt;/span&gt;. Primeira falácia. Cobrar é um direito de todo cidadão, votando nulo, não votando, ou sendo voto vencido. Se fosse assim, numa ocasião em que dei uma palestra em Curitiba em época de eleições precisando justificar o voto, não teria direito de cobrar quem venceu. Se fosse assim, todas as vezes que votei naquele mesmo candidato agora eleito e ele perdeu, não poderia cobrar nada do outro. Isso é inconcebível, cobrar meu direito inalienável, tanto quanto é meu dever cumprir o que me é cobrado no cumprimento a Lei. Contudo, se adianta cobrar já não sabemos. Ocorreu-me de enviar reclamações sobre um programa federal, no qual trabalhei em Umuarama, à ministra Benedita da Silva, certa feita, e nenhuma resposta recebi, por mais que protocolasse num mentiroso “fale com a Ministra”. Isso não ocorre apenas quando o interlocutor é tão distante, em nossa cidade já tentei me informar pelo site da prefeitura sobre como criar uma organização para trabalhar com saúde mental de crianças carentes, encaminharam-me para um setor que nunca me atendeu, nem sequer para dizer que não podia me atender. Desrespeito. Cobrar, todos podemos, sermos atendidos ainda não faz parte do pacote. Assim, a nossa democracia restringe-se ao seu conceito “representativo”  no qual votando damos aval para o representante administrar “em nosso nome”), enquanto inexiste uma efetiva e substancial “democracia participativa” (na qual todo cidadão governaria em cogestão com o Estado). Dessa interdição ideológica do direito à crítica por parte dos vencidos deriva o erro retórico de todas as outras críticas ao voto nulo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(2) &lt;span style="font-style: italic;"&gt;“Se você vota nulo, seu voto foi para o candidato que ganhou”&lt;/span&gt;.Segunda falácia. Fosse assim, todos os que votassem em outro que não o ganhador teriam votado no vitorioso. Houvesse três candidatos, quem não votou no que ficou em segundo, teria feito ganhar o primeiro e não o segundo. É o mesmo problema da falácia anterior – esse discurso omite que quem vence não representa só quem nele votou, tanto quanto não obriga aqueles que não votaram nele a concordar com todos os aspectos do seu programa de governo, o que anularia qualquer possibilidade de crítica pela sociedade a quem vence. Quem é “voto vencido” preserva os mesmos direitos do voto vitorioso. E temos o direito de nosso voto não ser o vencedor, é o mínimo do que se possa chamar “democracia”. A ideologia do “voto útil” elide esse preceito fundamental: o direito à discordância, ao dissenso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(3) &lt;span style="font-style: italic;"&gt;“Se você vota nulo não se distingue de quem votou errado”&lt;/span&gt;. Terceira falácia. O que essencialmente, no jogo das forças políticas, distingue seu voto do de outra pessoa é o que você declara dele. Se alguém queria votar em “b” e votou em “a”, declarando antes a todos seu voto em “a”, já fizera a diferença política entre seus pares. Ademais, também se pode digitar errado de modo “acertar” um candidato que não se pretendia eleger, mesmo que a probabilidade disso seja hoje menor. Mas, num caso desses, ou no caso de alguém não alfabetizado que receba um “lembrete” com um número que não seja o do seu candidato, teremos um voto errado que não se distingue do certo. O que define o certo ou errado tem a ver com a tensão entre consciência crítica e ingênua (ou alienada). O que conduz ao próximo ponto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(4)&lt;span style="font-style: italic;"&gt; “O voto nulo é um voto alienado”&lt;/span&gt;. Falácia, mais uma vez. Alienado é ser trabalhador e votar em quem não pertence à classe trabalhadora e/ou não defende os direitos dela. O mesmo vale para quem pertence à burguesia, se votasse contra os interesses de sua própria classe. Nesse sentido, o voto nulo não tem nenhum privilégio de alienação maior ou menor que qualquer outro voto. Já que alienação, ironicamente, é o privilégio político mais democraticamente distribuído em nosso país, ou seja, todos temos nosso “direito à alienação”, na penumbra do relativismo ideológico atual. Mas está claro que não há nada de implicitamente alienado em votar nulo, pelo próprio rebate às três falácias anteriores já apresentado – e por a alienação ou consciência crítica de qualquer ato simbólico terem a ver com o contexto de toda a prática social daquele que o realiza (a qual lhe confere sentido) e não com o simples gesto como tal. Os votos tidos como “válidos” também podem ser alienados, nem por isso deixam de ser entendidos como legítimos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por fim, não posso deixar de lembrar Jean-Paul Sartre em seu “O existencialismo é um humanismo” quando diz que devemos agir como se cada opção nossa engajasse também toda humanidade. Se eu voto nulo devo pensar apenas “que seria se todos votassem nulo?”. O que seria em termos jurídicos, os especialistas em Direito e os políticos de carreira saberão dizer melhor que eu, mas o que seria em termos éticos coincidiria apenas com uma manifestação massiva de uma profunda indignação frente às mazelas que nem preciso citar, pois todos já as sabem de cor e falam contra elas até os que mais as promovem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7888604696228809116-2617922753378928798?l=ninhodesentidos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ninhodesentidos.blogspot.com/feeds/2617922753378928798/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7888604696228809116&amp;postID=2617922753378928798' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7888604696228809116/posts/default/2617922753378928798'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7888604696228809116/posts/default/2617922753378928798'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ninhodesentidos.blogspot.com/2008/07/tribuna-do-povo-umuarama-domingo-06-de.html' title='Defesa do voto nulo'/><author><name>Achilles Delari Junior</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00363322332993826154</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_mCNX4vGC2uc/Sx8y7-srPgI/AAAAAAAAAHM/CzCo559bAhQ/S220/Nova+Imagem.png'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7888604696228809116.post-8900882682626877809</id><published>2008-06-01T14:31:00.000-07:00</published><updated>2008-06-01T14:43:17.499-07:00</updated><title type='text'>Êthos: morada e caráter</title><content type='html'>A Tribuna do Povo, Umuarama, sábado, 31 de maio de 2008&lt;br /&gt;Espaço do Leitor&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há alguns anos, venho pensando sobre o sentido e a origem da palavra grega “Étika”, a partir de leituras, falas de palestrantes e vivências. Pude aprender, pesquisando, que essa palavra tem raízes em outras duas, cuja escrita é parecida e alguns sentidos coincidentes, mas não todos. Uma dessas palavras gregas é “êthos” (iniciada com a letra “etha”) e a outra “ethos” (iniciada com “epsylon”). Pelo que os dicionários registram, “êthos” pode significar tanto “casa, morada, toca, ninho, lugar habitual”, quanto “caráter” e ainda “hábito, disposição, costume”. Já “ethos”, por sua vez, mostra ser uma palavra com menor número de acepções, tendo o sentido mais específico de “hábito, maneiras, costumes”. Há quem diga que os romanos tomaram mais o significado da segunda palavra (ethos) para traduzir tal conceito grego por “mores” (hábito, costume, etc.), do qual seria derivada a palavra “moral”, do latim “moraális” (relativo aos costumes). De todo modo, podemos interpretar que, na ética, os três sentidos se somam: 1. “morada” (lugar de aconchego, espaço pessoal), 2. “caráter” (modo de ser, forma geral de se portar, personalidade) e 3. “hábito” (costume, maneiras, modos).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas um hábito não é o mesmo que o caráter. Platão disse que “o caráter é estabelecido através do hábito” (êthos dia ethos), de modo que o “hábito” não mostra ser um fim em si mesmo, mas um meio para desenvolver o nosso caráter ou, num sentido figurado, um meio para edificar a nossa morada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tal morada não seria, assim, apenas o lugar em que vivemos, o espaço físico em si, que nos dá aconchego, proteção, mas também nosso modo de habitar esse lugar para que nos seja conveniente, aconchegante, protetor, familiar... De tal maneira que o possamos reconhecer como propriamente nosso (“esse é meu lugar”) e a nós mesmos como propriamente pertencentes a ele (“eu sou desse lugar”). Ou seja, para a edificação de nosso “êthos”, contam não só as características físicas primárias do lugar, como ser de madeira ou alvenaria, escuro ou iluminado, quente ou frio, mas também as humanas: (a) a arrumação que fazemos nele, a disposição de nossos pertences no seu interior; (b) a escolha dos símbolos, quadros, retratos, enfeites, com que o decoramos, marcando nossas preferências e elegendo objetos que evocam memórias relevantes; (c) os costumes diários, rotinas de alimentação, higiene, lazer, trabalho para o cuidado com a casa; e, sobretudo, (d) as formas de tratamento e respeito para com aqueles que&lt;br /&gt;nela co-habitam...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com tudo isso, nesse processo de “edificação da nossa morada”, dê-se ele em casa ou em todos os lugares que nos sejam habituais (trabalho, escola, igreja, clube, associação, local de lazer, de arte ou de militância), vai-se forjando nossa própria “morada interior”, casa de nossas atitudes e seus sentidos - nosso caráter. Este seria um modo de agir não tão facilmente modificável ou amplamente variável quanto um hábito, embora também não seja algo fixo ou prédeterminado, pois supomos que se constitui, forma-se, em função de nossas relações sociais mais significativas, nas moradas que vão nos abrigando desde que nascemos, oficinas da construção de nós mesmos. De modo mais denso, consistente e mesmo duradouro do que a palavra “hábito”, a palavra “caráter” relaciona-se com o nosso jeito peculiar de nos situarmos no universo social mais amplo, tanto quanto junto àquilo que faz parte do nosso ninho, nosso mundo de relações mais particulares ou íntimas, e ainda de darmos forma aos nossos próprios valores. Sendo que estes têm a materialidade de processos simbólicos (palavras, símbolos, conceitos, imagens, ícones, esquemas, diagramas) que orientam e organizam nossa ação no mundo público e privado, permitindo-nos reconhecer e afirmar o que consideramos bom ou ruim para nós e os nossos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, a ética não diz respeito só aos nossos hábitos, bons modos, etiqueta, bons costumes, bom comportamento, ou moralidade (no sentido comum do termo, como “regras arbitrárias de conduta”), mas também, e sobretudo, aos valores que atribuímos para essas coisas e ao sentido que elas têm na nossa busca de construir um bem maior para nós e os que nos cercam, tanto quanto para, no limite, todos os nossos semelhantes. Penso que isso, essa diferenciação e integração entre os os sentidos de “êthos” e “ethos”, seja importante para refletirmos, junto às nossas vivências concretas, sobre o problema monumental da ética, como respeitante ao nosso caráter e à morada do Homem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para finalizar cabe lembrar apenas um clássico problema pertinente à ética que é o da sua relação com o campo da política. Pois se o “êthos” é “casa, morada, lugar de aconchego”, a “pólis” é “cidade, espaço público, lugar de conflito, debate e luta”. No período helenístico, na época da dominação da Grécia por Alexandre, os pensadores de então, chamados filósofos, deixaram de estar presentes na “pólis”, pois ali reinava a tirania e não mais a democracia de antes. Foi a época em que as preocupações éticas mais proliferaram, em correntes como o “epicurismo”, “estoicismo”, “ceticismo” e “cinismo”, etc. Era a preocupação principal com o “êthos”, como o lugar de aconchego, onde se pode ter paz, pois na “pólis”, na política, não pode haver paz. Sobre essas diferentes éticas falemos em outra oportunidade. A mensagem oculta que elas nos deixam é que belo seria se antes pudéssemos fazer da “pólis” nosso grande “êthos”, da nossa cidade a nossa casa, da política algo ético, como sonharam depois os socialistas, entre outros valorosos lutadores do povo - “cometas cintilantes que se foram pela noite”. Mas, por enquanto, não podendo, cuidemos bem então do nosso “êthos”, pois é onde vivemos a maior parte do tempo. Tanto mais se considerarmos que nosso próprio caráter seja a nossa morada, pois dentro dele habitamos permanentemente.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7888604696228809116-8900882682626877809?l=ninhodesentidos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ninhodesentidos.blogspot.com/feeds/8900882682626877809/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7888604696228809116&amp;postID=8900882682626877809' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7888604696228809116/posts/default/8900882682626877809'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7888604696228809116/posts/default/8900882682626877809'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ninhodesentidos.blogspot.com/2008/06/thos-morada-e-carter.html' title='Êthos: morada e caráter'/><author><name>Achilles Delari Junior</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00363322332993826154</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_mCNX4vGC2uc/Sx8y7-srPgI/AAAAAAAAAHM/CzCo559bAhQ/S220/Nova+Imagem.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7888604696228809116.post-9193240688272526417</id><published>2008-05-08T20:46:00.000-07:00</published><updated>2008-05-10T13:13:23.017-07:00</updated><title type='text'>Dialética do sofrimento</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify;font-family:verdana;" &gt;A Tribuna do Povo, Umuarama, sexta-feira, 09 de maio de 2008&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify;font-family:verdana;" &gt;Espaço do Leitor&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify;font-family:verdana;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size:9;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify;font-family:verdana;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size:9;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Uma crítica muito séria às pessoas de formação cristã, sobretudo católica, é a de que nós tendemos a interiorizar o sofrimento como valor, dando a crer que só seja válida a vida de quem sofre, que só o sacrifício dignifica a vida humana. Sim, pode haver tais exageros na cosmovisão cristã católica. Uma amiga minha, em trabalho missionário no nordeste do Brasil, notou certa atitude bastante emblemática que depois me narrou de modo crítico: o povo celebrava, na semana santa, muito mais a “procissão do Senhor morto” do que o “domingo de Páscoa”! Uma religiosidade voltada mais para a morte, que para a ressurreição e a vida. Morte tão presente naquilo que o poeta retrata como vida “severina”. Morte em vida, pois só fazemos morrer um pouco a cada dia, para herdar a parte que nos cabe nesse latifúndio: uma cova de palmos medida, a terra que queríamos ver dividida... Resta então valorizar a morte. Surge um terrível sentido de aceitação do sofrimento, o conformismo com uma injustiça milenar que não se pode mudar.&lt;/span&gt;&lt;?xml:namespace prefix = o /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size:9;"&gt;&lt;span style="font-size:+0;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Porém, quão sofrido é também querer mudar algo, não? Mais sofrido ainda é realizar ações em busca de transformação social. Não haveria escapatória? Ou se acomodar com o tanto que se sofre, ou se sofrer pelo tanto que se desacomoda? Se a encarnação do sofrimento no fundo do peito como preço da salvação não é algo certo, a negação total do sofrimento como se fosse simples de anular ou descartar também não corresponde aos fatos. Quem sofre mais, o que diz que o sofrimento é inevitável e assim se conforma com ele e não sofre por sofrer, ou o que está convicto de que o sofrimento pode ser evitado e sofre para acabar com ele, nem sempre conseguindo?&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="FONT-FAMILY: verdana; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size:9;"&gt;&lt;span style="font-size:+0;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Se o cristianismo tem seus erros, também os tem certa visão romântica ao tratar do tema do sofrimento. Para o célebre pensador romântico, Arthur Schopenhauer, “melhor do que morrer, só mesmo nunca ter nascido”. Tamanho o desencanto com o mundo. Talvez pensasse: “já que o mundo é tão mal e eu um pensador tão inteligente, culto, sensível e autêntico, nada melhor haveria do que eu não existir, para não ter que presenciar a ignóbil tragédia da experiência humana”. Essa visão tanto afirma o sofrimento que no fim o quer negar ou escapar dele para um inexistente mundo onde reine tão somente o nada, a ausência de consciência - pátria dos devaneios de todo romântico, matriz de diversas quimeras e alienações tão convenientes ao Status Quo. Inexistente mundo onde impere, talvez, o que se fantasia ser a loucura (como se nela não houvesse dor) ou, quase sempre, o que se arroga ser o êxtase do artista (geralmente como filósofo-poeta) tal qual potência que foge às desafortunadas convenções da vida simples, nua e crua, de pessoas como nós.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify" face="verdana"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size:9;"&gt;&lt;span style="font-size:+0;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Entre o extremo da incorporação voluntária do sofrimento como valor sem o qual a vida não tem sentido e o do exagero do sofrimento como algo suficiente para negar qualquer valor à própria vida, essa dialética (contradição, enfrentamento e fusão de opostos) pode ainda desenhar outros contornos. Não se trata de que quem sofre mais tem mais merecimento, nem tampouco se trata de que quem opte por deixar de viver tenha mais valor por ser “corajoso”. Ocorre uma coisa bem simples: toda escolha envolve perdas e, se escolho viver, como posso aspirar romanticamente que não haja perda nenhuma? O prazer não é só ausência de dor, é também expansão da potência de vida, mas há como dimensionar o prazer sem confrontá-lo com sua ausência? Que nome se dá à ausência de prazer, senão dor ou sofrimento?&lt;/span&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify" face="verdana"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size:9;"&gt;&lt;span style="font-size:+0;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Um pastor amigo meu, certa vez, ofereceu-me uma chave teológica muito rica sobre o sofrimento: no cristianismo, Deus se fazendo humano, na pessoa de seu próprio filho, e vivenciando as dores da humanidade como homem, dá um sentido diferente para o nosso sofrimento que não só o da punição para o Adão pecador que tem de ganhar o seu sustento pelo trabalho com a dor que ele causa. Diferente, pois o sofrimento humano do Filho cria um estatuto teológico de nova ordem, um simbolismo de que a vida humana tem sim dignidade e vale a pena ser vivida - com o ônus que qualquer escolha nos acarreta, ou seja, o de uma perda. Sofremos por desejar sem poder realizar tudo que desejamos. Mas é realizando algo que obtemos prazer. E para realizar algo é preciso não realizar tudo – é uma regra imanente.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:9;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Assim, nem todo sofrimento é vão, nem é só uma carga obrigatória a suportar, mas também algo que compõe a própria realização do desejo, algo a ser vivido, superado, convertido em novos sentidos. Como um cisco que incomoda o olho, mas cuja lágrima que faz rolar pode ser capaz de produzir uma visão mais cristalina do mundo, com a qual nossa consciência nota o peso e a leveza reais de existirmos – sem auto-flagelação em busca de recompensas imaginárias, sem devaneios de que pudéssemos evitar a dor habitando enfim o reino do nada.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7888604696228809116-9193240688272526417?l=ninhodesentidos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ninhodesentidos.blogspot.com/feeds/9193240688272526417/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7888604696228809116&amp;postID=9193240688272526417' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7888604696228809116/posts/default/9193240688272526417'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7888604696228809116/posts/default/9193240688272526417'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ninhodesentidos.blogspot.com/2008/05/dialtica-do-sofrimento.html' title='Dialética do sofrimento'/><author><name>Achilles Delari Junior</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00363322332993826154</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_mCNX4vGC2uc/Sx8y7-srPgI/AAAAAAAAAHM/CzCo559bAhQ/S220/Nova+Imagem.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7888604696228809116.post-4235368237801969560</id><published>2008-04-30T17:54:00.000-07:00</published><updated>2008-04-30T18:04:31.987-07:00</updated><title type='text'>1° de maio: dia de luto</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;A Tribuna do Povo, Umuarama, quinta-feira, 1 de maio de 2008&lt;br /&gt;Espaço do Leitor&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tanto quanto no caso do “Dia &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Internacional da Mulher”, a origem &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;do “Dia Internacional do Trabalhador” &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;reside em luta e tragédia. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;No 1º de maio de 1886, em &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Chicago, maior centro industrial &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;norte-americano de então, trabalhadores &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;fizeram uma greve geral &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;fortemente reprimida. Houve &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;prisões, feridos e também mortos, &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;no embate entre operários e &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;polícia. Três anos depois, num &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;congresso socialista realizado &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;em Paris, criou-se a data internacional, &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;que veio mais tarde a ser &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;assumida como feriado nacional &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;em diversos países, mas não naquele &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;que a originou. Tendo em &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;vista a memória dos trabalhadores &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;encarcerados, espancados e &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;assassinados naquele dia, dois &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;sentidos classistas mais densos &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;restariam para o primeiro de &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;maio, os quais o jornalista Perseu &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Abramo (1929-1996) soube &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;definir em apenas duas palavras &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;“luto e luta”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;O interessante é que só há alguns &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;anos ouvi pela primeira vez &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;a designação dessa data como &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;um dia de luto, da voz de meu pai, &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;que trabalhou na construção civil &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;e provavelmente não conhecia a &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;referência do jornalista como eu &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;também não, até bem recentemente. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Chamam-me a atenção &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;nesse momento, quanto a esse &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;assunto, fundamentalmente dois &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;pontos para reflexão: 1) Não há o &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;que festejar; 2) Quanto mais se &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;luta mais luto há. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Para falar do primeiro tema &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;bastará lembrar a demagogia que &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;se faz em torno do “Dia do Trabalhador” &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;justamente por parte daqueles &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;que mais se aproveitam &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;da expropriação do trabalho &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;alheio para acumular capital e &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;poder político. Para falar do segundo &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;tema bastará lembrar o &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;quanto as lutas operárias e &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;camponesas só têm feito acumular &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;mártires para que logo &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;algum traidor e/ou aventureiro &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;oportunista venha se beneficiar &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;da imagem deles para então &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;convertê-la em figura retórica de &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;sua própria promoção política &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;pessoal e por fim ascensão à &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;classe que expropria o trabalho &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;alheio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Por que não há o que festejar? &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;É muito simples. Não se festeja &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;a memória de mortos em &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;combate, não se faz festa para &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;lembrar de quem tombou por uma &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;causa, muito menos quando &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;essa causa não foi vitoriosa. A festa &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;fica por conta do sindicalismo &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;pelego que, para anestesiar mais &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;um pouco a consciência do trabalhador &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;que nada recebe do valor &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;a mais que produz a não ser &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;ilusórias “condecorações” de &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;“melhor do mês”, “melhor do ano”, &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;faz seus eventos com mega-shows &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;e sorteios de prendas, até automóveis, &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;esmolas disfarçadas &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;de gratidão. Circo e migalhas de &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;um pão amassado justamente &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;com a contribuição mensal de &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;cada um. A festa fica por conta dos &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;líderes de partidos trabalhistas &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;brasileiros ou estrangeiros que, &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;mesmo ostentando uma estrela &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;vermelha ou uma faixa da mesma &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;cor em sua bandeira, sequer &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;pagam os direitos de seus próprios &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;empregados, nem proporcionam &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;aos seus próprios antigos &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;colegas de classe social &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;condições de ganhar a vida por &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;meio de seu próprio trabalho e &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;não por uma vergonhosa bolsa &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;assistencial. Comemorar não é &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;o mesmo que festejar, pois em &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;“co-memória” está basicamente &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;a idéia de “lembrar junto com a &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;alguém”, o que está próximo de &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;“celebrar”, tornar célebre. Mas &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;essas palavras estão muito  associadas &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;com alegria, festejo, &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;quando se trataria mais de nos &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;reservarmos ao espaço de nossas &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;casas e em silêncio acender &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;uma vela pela memória dos &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;anônimos ou conhecidos mortos &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;no passado em tantas jornadas, &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;de primeiro de maio ou &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;não, em nome da luta pela &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;emancipação dos trabalhadores &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;de todo o mundo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;br /&gt;Disso me vem o pensamento &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;relativo ao segundo ponto: por &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;que quanto mais se luta, mais &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;luto há? A última jornada nacional &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;de lutas por ocasião do Dia &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Internacional do Trabalhador de &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;que participei foi no ano 2000, &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;por ocasião dos 500 anos da &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;invasão dos europeus às terras &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;desse continente. No dia das “comemorações” &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;(realmente houve &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;festa) dos 500 anos, na data do &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;“descobrimento” do país, Fernando &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Henrique Cardoso havia promovido &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;grande estardalhaço em &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Porto Seguro, mas da festa foram &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;impedidos de participar índios, &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;estudantes e sem-terra, fortemente &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;reprimidos com aparato &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;militar. No primeiro de maio estávamos &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;em luta nacional. Um dos &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;resultados dessa luta, travada em &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;todas as capitais do país: 14 presos &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;em São Paulo, dentre eles &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;um umuaramense; e um morto &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;em Curitiba. Que fazer agora com &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;a memória desses resultados? &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Festejar porque não morreram &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;mais? Uma vida perdida já não é &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;suficiente para fazer repensar &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;toda a tática? Orgulharem-se por &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;terem sido presos por conta da &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;luta pelo socialismo? Uma consciência &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;abalada pelas memórias &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;do cárcere e suas torturas psicológicas &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;já não é suficiente para &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;fazer rever a função disso? Infelizmente, &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;a luta dos trabalhadores &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;só tem feito gerar mais luto – &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;e muitos líderes e movimentos &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;sociais ainda seguem erguendo &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;suas bandeiras vermelhas da cor &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;do sangue dos altruístas que &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;tombaram, capitalizando o martírio &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;em favor de suas ideologias &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;enquanto o trabalhador continua &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;tendo apenas a parte que lhe &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;cabe nesse latifúndio: uma cova &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;de sete palmos medida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Este meu texto triste e amargo &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;é a única vela que acendo hoje, &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;para esse dia de luto por heróis &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;cujo nome nunca será lembrado.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Sobretudo pelo sacrifício daqueles &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;que não morreram pela causa, &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;mas que têm ainda a coragem &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;de permanecer vivos produzindo &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;com o seu suor e seu esforço &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;mental o sustento de suas &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;famílias. Apesar de seus patrões, &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;apesar dos presidentes de nações &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;ou de partidos, apesar dos &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;líderes de movimentos e seus &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;heróis fabricados de fantasia &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;amalgamada à dor do povo.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7888604696228809116-4235368237801969560?l=ninhodesentidos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ninhodesentidos.blogspot.com/feeds/4235368237801969560/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7888604696228809116&amp;postID=4235368237801969560' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7888604696228809116/posts/default/4235368237801969560'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7888604696228809116/posts/default/4235368237801969560'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ninhodesentidos.blogspot.com/2008/04/tanto-quanto-no-caso-do-dia.html' title='1° de maio: dia de luto'/><author><name>Achilles Delari Junior</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00363322332993826154</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_mCNX4vGC2uc/Sx8y7-srPgI/AAAAAAAAAHM/CzCo559bAhQ/S220/Nova+Imagem.png'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7888604696228809116.post-4826342795845013929</id><published>2008-04-28T17:39:00.000-07:00</published><updated>2008-04-28T21:02:31.492-07:00</updated><title type='text'>A banalização do mal</title><content type='html'>&lt;span style=";font-family:georgia;font-size:100%;"  &gt;A&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:georgia;font-size:100%;"  &gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt; Tribuna do Povo, Umuarama, terça-feira, 29 de abril de 2008&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Espaço do Leitor&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;          &lt;p class="MsoNormal" style="margin-right: 0.9pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:georgia;font-size:100%;"  &gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;O fato da “banalização do mal” não é novo, nem a sua crítica constitui-se em um capítulo especial da ética do discurso ou da análise das distorções ideológicas &lt;/span&gt;&lt;st1:personname style="font-family: verdana;" productid="em geral. Assim" st="on"&gt;em geral. Assim&lt;/st1:personname&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;, não sou nenhum pioneiro em destacar mecanismos perversos pelos quais a maldade humana é agenciada de modo oportunista favorecendo certos grupos sociais, para assim continuar sendo a mesma maldade que em seguida será repetida, odiada por todos e novamente aproveitada para aumentar pontos no ibope, simpatias políticas ou força na retórica de qualquer demagogo ou moralista. Além de proporcionar um desencargo de consciência a quem aponta o dedo em riste para o que acontece, como se nenhuma responsabilidade tivesse para com aquilo que não fosse a de condenar e exigir punição exemplar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;A expressão desse incômodo com a “banalização do mal” não aspira conclamar reformas na consciência crítica de ninguém, pois a todos cabe aprender a ler a realidade e enxergar suas contradições, conforme isso lhe convenha. Mas torna-se necessária para que não passe despercebida a hipocrisia com que ora se propaga tal mecanismo, como se divulgar repetidamente a maldade humana (sempre do outro, nunca nossa) fosse a mais pura e elevada manifestação de humanidade e indignação contra a injustiça. Como se reconhecer uma injustiça fosse algum mérito, ou suprema qualidade moral, e não apenas um dever comum a qualquer pessoa mentalmente sadia.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Trata-se assim de algo recorrente, mas que ultimamente tem se materializado com mais evidência no já insuportável tratamento midiático dado ao caso do assassinato da menina Isabella. Vejo que não deixa de ser também um crime, ainda que inimputável juridicamente, o que os meios de comunicação de massa, e não só eles, vêm fazendo com esse assunto. O crime de nos fazer começar a sentir como chata, enfadonha e desnecessária, essa narrativa sobre uma realidade que por natureza é tão triste e relevante, se tomada como exemplo de outras situações similares a evitar. A grande imprensa tem essa sórdida alquimia de transformar a tristeza, primeiro em espetáculo e logo em tédio e esquecimento. Nesse sentido o primeiro mecanismo perverso relativo à banalização que identifico é o da “capitalização midiática” do mal – é o que tem acontecido no caso dessa menina. A desgraça humana (além de filtrada por critérios de classe, pois casos assim acontecem bem mais que os divulgados quando se trata de classes ricas) é ainda convertida em dividendos pelo ganho de audiência que se tem em função do espetáculo, à moda de uma tragédia teatral, uma novela global ou um &lt;/span&gt;&lt;span  lang="EN-US" style="font-family:verdana;"&gt;reality&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt; show.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;A isso se articula um segundo mecanismo perverso que é o da “catarse de massas”, pois se a mídia consegue capitalizar o mal é porque alguém, não pouca gente, consome tal mercadoria. A vazão do desejo desse consumo assume a forma de uma catarse. Ou seja, há uma descarga emocional desejável nesse consumo do mal alheio, que reside justamente na ilusão de que, ao condenar o que é óbvio ser errado, haja para nós algum mérito moral. Sentimo-nos “bons” e “justos” ao proferir julgamento sobre males hediondos de criminosos, que de fato são, não nos demandando qualquer virtude adicional para julgá-los assim.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Isso, outro dia, me fez notar ainda um terceiro mecanismo perverso que chamo de “agenciamento político” da dor coletiva. Algo claramente manifesto numa fala de Lula se pronunciando sobre o caso da menina assassinada, dizendo o quão trágico ele é e quanto ele confia em certas autoridades para resolvê-lo. Ou seja, ao dizer aquilo com que todos concordam, aproveita para posar como aquele que canaliza o sentimento geral de um povo. E ao conferir crédito a certas autoridades, agencia ainda influências políticas. Tão oportunista quanto a grande imprensa e valendo-se dela.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Por último, um quarto mecanismo, muito similar ao usado por Lula, é o do “agenciamento retórico” da mesma dor coletiva, em textos de opinião. Não sem surpresa, deparei-me, no domingo, com um artigo publicado n’A Tribuna do Povo, dedicado ao tema da “Reforma Tributária”, mas que fez questão de iniciar sua prosa com uma menção ao tal assassinato, evocando uma “meiga Isabella". Mas qual a necessidade de se pronunciar sobre a personalidade da garota, fosse meiga ou rude? Em última análise, um crime é crime seja qual for a índole da vítima, não? São recursos alheios ao argumento. Contudo, não deixam de lhe trazer o benefício de tão somente falar o que todos gostariam de ouvir, mesmo que seja para defender uma idéia sobre outro tema que não tem nada a ver com o assunto do crime – forçando uma importação de simpatias coletivas de um tema para o outro. &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:9;"  &gt;&lt;span style=";font-family:georgia;font-size:100%;"  &gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;São três ou quatro mecanismos perversos articulados que têm feito parte da estrutura de sustentação de uma clara banalização do mal, tornando enfadonho, chato, antipático, um tema que poderia ter nos feito refletir um pouco sobre o próprio mal que vivemos a perpetuar todos os dias, contra os mais jovens, contra nós mesmos, justo quando somos os primeiros a julgar e condenar os erros “do outro”&lt;/span&gt;.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7888604696228809116-4826342795845013929?l=ninhodesentidos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ninhodesentidos.blogspot.com/feeds/4826342795845013929/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7888604696228809116&amp;postID=4826342795845013929' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7888604696228809116/posts/default/4826342795845013929'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7888604696228809116/posts/default/4826342795845013929'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ninhodesentidos.blogspot.com/2008/04/banalizao-do-mal.html' title='A banalização do mal'/><author><name>Achilles Delari Junior</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00363322332993826154</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_mCNX4vGC2uc/Sx8y7-srPgI/AAAAAAAAAHM/CzCo559bAhQ/S220/Nova+Imagem.png'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7888604696228809116.post-5134747992682455250</id><published>2008-04-08T21:08:00.000-07:00</published><updated>2008-04-08T22:07:43.623-07:00</updated><title type='text'>O segredo da adolescência</title><content type='html'>A Tribuna do Povo, Umuarama, quarta-feira, 09 de abril de 2008&lt;br /&gt;Espaço do Leitor&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É importante o que dizem psicólogos e educadores sobre a adolescência, mas gostaria aqui de não me ater às falas deles. Quero apenas partilhar sentidos pessoais que esta palavra evoca em mim hoje... O jargão de que o adolescente “aborrece” tornou-se tão disseminado pela mídia e pelo senso comum que quase já se o toma como algo real. Contudo, o que haveria nesse momento da vida que poderia nos incomodar tanto? O fato de nos aborrecermos com as atitudes de adolescentes, vendo nelas o que já não toleramos em nós, não seria também sinal de fraquezas nossas? Ou será que justo no confronto com nossas fraquezas, nossos limites, também não podemos intuir uma força e uma virtude que preferimos não ter mais, pelo ônus que acarretariam? Sim, faço uma inversão proposital aqui. Ao invés de pensarmos a idade adulta só como a resolução dos conflitos adolescentes, por que também não a pensarmos como um recuo tático quanto ao que nesse período de nossas vidas estava tão pulsante? Recuo em relação ao que, ainda há pouco, era tão evidente e verdadeiro para nós. Pergunto, pois vejo características na adolescência que bem poderiam ser vistas como próprias a todo ser humano... Entretanto, num processo talvez “expiatório”, podemos preferir depositar no estereótipo social da adolescência tudo que tenha a ver, por exemplo, com “inflexibilidade”, “conflito” e “transição”. Como se na vida adulta só houvesse “flexibilidade”, “harmonia” e “porto seguro”. Mas também há muitos adultos inflexíveis, ou que passam por sérios conflitos e não encontram o repouso ou a estabilidade desejada, sempre em transição para algo que nem sabemos se chegará. Por a adolescência colocar em evidência, como numa lente de aumento, características tão humanas, presentes em todas as idades, penso que seja melhor observar o que há de virtuoso nesse momento de nossas vidas do que tomá-lo como sinônimo de algo falho e incompleto a ser apenas superado e deixado para trás. Virtudes como a coragem de por-se à prova, a necessidade de ter convicções e a altivez de formular projetos para o futuro. A coragem de pôr-se à prova se materializa no fato de que o adolescente se faz pioneiro, desbravador de novas terras, tanto as íntimas como a da sexualidade, quanto as públicas como a das responsabilidades que deve assumir, sabendo que ninguém o fará em seu lugar. O conflito se estabelece, receios habitam seu imaginário, mas ele enfrenta, tem coragem e põe-se à prova diante dos desafios. A necessidade de ter convicções se parece, para o adulto cético ou desiludido, com algo ingênuo e romântico, inflexível e intolerante. Porém, os desafios a serem enfrentados pela primeira vez, portanto mais difíceis e temíveis, demandam o surgimento de sérias convicções, de bravura na defesa das próprias opções, como vitais e insofismáveis. É assim com a religiosidade do adolescente, suas opções ideológicas, suas preferências estéticas, musicais, literárias, cinematográficas... Não se trata de que não esteja aberto a novas referências. Mas apenas de que possui, e busca ampliar, recursos para justificar suas preferências. Exige coerência, não se conforma com a indefinição, a indecisão. Opta por ser “frio” ou “quente”, rejeita o “morno”, não tolera o “em cima do muro”. É do grande arrebatamento ou da grande indiferença. O conjunto de suas referências muda, sua avaliação ao longo do tempo pode variar, pois se refaz, reaprende, recicla-se, mas, no que se pauta neste momento, quer coerência e a cobra dos demais. Por fim, a altivez de formular projetos para o futuro. Num mundo em que as perspectivas se estreitam, pois impera a ideologia da queda das utopias coletivas, da derrota dos projetos de transformação social de longo alcance, o ato de projetar um futuro melhor demanda cada vez mais energia e coragem. O Estado progressivamente vai se desresponsabilizando da saúde, da educação, da garantia dos direitos trabalhistas. A palavra “consumidor” é bem mais ouvida na mídia do que “cidadão”. A concorrência, o individualismo, imperam e um futuro melhor é algo incerto para todos. Ainda assim, o adolescente, à revelia da conjuntura desfavorável, faz projetos, quer ser médico, engenheiro, jornalista, cineasta, músico, ator, escritor, um dia pai, mãe, marido, esposa. Faz apostas no futuro, sonha em construir um mundo melhor para si, para os seus, mesmo sem nenhuma certeza de que isso possa ser conquistado. Não sem razão, isso pode gerar crises, como a tão incompreendida “crise da adolescência”... Não é de se espantar que na adolescência haja irritação, indignação ou mesmo lágrimas. Mas, como disse Belchior, contra os ditadores, estes não devem cantar “vitória muito cedo, não”, nem levar “flores para a cova do inimigo”, pois “as lágrimas dos jovens são fortes como um segredo, podem fazer renascer o mal antigo”. O mal antigo para os dominantes, é a busca do bem para a humanidade, que nasce da indignação frente à incoerência de adultos acomodados, autoritários e demagogos, e revive a cada instante: no valor de por-se à prova, ter posição, e ainda ousar sonhar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7888604696228809116-5134747992682455250?l=ninhodesentidos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ninhodesentidos.blogspot.com/feeds/5134747992682455250/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7888604696228809116&amp;postID=5134747992682455250' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7888604696228809116/posts/default/5134747992682455250'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7888604696228809116/posts/default/5134747992682455250'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ninhodesentidos.blogspot.com/2008/04/o-segredo-da-adolescncia.html' title='O segredo da adolescência'/><author><name>Achilles Delari Junior</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00363322332993826154</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_mCNX4vGC2uc/Sx8y7-srPgI/AAAAAAAAAHM/CzCo559bAhQ/S220/Nova+Imagem.png'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7888604696228809116.post-5662653666272834353</id><published>2008-04-08T21:03:00.000-07:00</published><updated>2008-04-08T22:04:18.043-07:00</updated><title type='text'>Imagem</title><content type='html'>A Tribuna do Povo, Umuarama, domingo, 06 de abril de 2008&lt;br /&gt;Coluna "Qual é a sua?" / seção "palavra-chave"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se no campo do conhecimento sistemático o século XX foi considerado o século da linguagem, no campo da cultura em geral pôde também ser considerado o século da imagem. Sendo a imagem uma forma de linguagem impactante desde sempre, no século passado presenciamos uma incrível multiplicação dos recursos técnicos próprios à reprodução em série da imagem, mesmo que alguns destes tenham uma origem anterior, desde a fotografia ao cinema, deste à televisão e daí para as interfaces gráficas dos computadores pessoais. A comunicação pela imagem se fez mais presente no cotidiano de todos. Muitas são as emoções que ela permite captar e transmitir, as ideologias que ela permite simbolizar: desde uma marca de uma grande indústria, ao símbolo de uma tendência política; da estampa de Che Guevara na camiseta de um militante a uma flor de lótus tatuada na nuca de uma jovem. As imagens que escolhemos para povoar nosso ambiente, decorar nossas casas, por no papel de parede de um monitor, ou como avatar num perfil de um programa de comunicação pela internet ou de um site de relacionamentos: todas elas dizem respeito a alguma atitude nossa, alguma opção, um sentido estético, uma preferência, uma visão de mundo. Quem fica só com a imagem não capta a essência? Talvez. Mas uma imagem não pode também dar pistas de algo mais profundo e essencial que palavras até podem dissimular? É preciso interpretar os sinais. Sábio aquele que aprende a ler imagens. Como sábios também são aqueles que produzem arte com elas, um pintor, um cineasta, um fotógrafo, um designer, um diagramador – estes que comunicam pela mediação de imagens. Também temos nossa “auto-imagem”, aquilo que imaginamos ser nossa presença no mundo, para os outros e para nós mesmos. Temos nossos sonhos dormindo, repletos de imagens, temos nossos desejos, sonhando acordados, construindo filmes em nosso imaginário. Tanto no sentido da preferência por algo que se acha belo, amável ou desejável, quanto no sentido de como alguém pensa ou quer ser visto, podemos muito bem perguntar: “Qual é a sua imagem?”&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7888604696228809116-5662653666272834353?l=ninhodesentidos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ninhodesentidos.blogspot.com/feeds/5662653666272834353/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7888604696228809116&amp;postID=5662653666272834353' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7888604696228809116/posts/default/5662653666272834353'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7888604696228809116/posts/default/5662653666272834353'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ninhodesentidos.blogspot.com/2008/04/tribuna-do-povo-umuarama-06-de-abril-de.html' title='Imagem'/><author><name>Achilles Delari Junior</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00363322332993826154</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_mCNX4vGC2uc/Sx8y7-srPgI/AAAAAAAAAHM/CzCo559bAhQ/S220/Nova+Imagem.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7888604696228809116.post-2742495816513493489</id><published>2008-04-02T21:50:00.000-07:00</published><updated>2008-04-08T22:05:59.832-07:00</updated><title type='text'>Sobre reis e mendigos</title><content type='html'>A Tribuna do Povo, Umuarama, quinta-feira, 3 de abril de 2008&lt;br /&gt;Espaço do Leitor&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem leu Hamlet, de Shakespeare, não pode deixar de lembrar a célebre passagem na qual um personagem declara que “um rei pode dar um passeio nos intestinos de um mendigo”. A lógica é simples, o rei morre, os vermes se alimentam de seu corpo, alguém usa um verme como isca de pescaria, o peixe come o verme, um mendigo recebe um peixe de esmola e o come. O rei passeia pelo intestino do mendigo, palácio inusitado para sua nobreza destituída. Mesmo sendo cômica, a carga materialista da alegoria é forte, podendo nos provocar mal-estar. Mas a cosmovisão subjacente é democrática, a da inversão dos valores, mostrando que todos somos iguais. Que indo do pó ao pó, todos participam da mesma substância e as hierarquias se dissolvem, deixam de existir.&lt;br /&gt;Salvo engano, algo semelhante, embora não materialista, já estava bem antes presente na antiga Grécia, com a doutrina da “metempsicose”, transmigração da alma, defendida no Fédon de Platão. Ora, isso causara dificuldades políticas para Sócrates, o protagonista dos diálogos platônicos, pois de seu pensamento se poderia concluir que os humanos poderiam retornar como animais, os homens como mulheres e, até, para o horror da aristocracia, os senhores como escravos. Algo inconcebível para a classe dominante da época. Subversivo. Pois seria então necessário respeitar todo ser humano, e mais, toda a criação. O mais simples dos mortais poderia ter alma de rei, ter nobreza em seu interior, ser tão digno de consideração quanto o mais condecorado dos aristocratas ou o mais destacado dos políticos.&lt;br /&gt;Num salto de cerca de quatrocentos anos depois de Sócrates, pensemos em algo bem mais conhecido do que Hamlet de Shakespeare ou o Fédon de Platão: a história daquele que veio a ser considerado “rei dos reis”, cujo reino não era desse mundo, mas que veio nascer não em berço de ouro e sim numa estrebaria, numa manjedoura – como narram os evangelistas. Talvez não haja exemplo maior de que linhagem aristocrática não conta nada diante de Deus. Que sangue azul ninguém de fato tem a não ser por uma abstração ideológica, no sentido marxiano para “ideologia” (“falseamento do real”). Pois o sangue vertido na cruz e nos martírios dos primeiros cristãos, pagando penas impetradas justo por nobres e abastados, não foi azul, mas vermelho, como o de todos nós. Assim, essa simbologia e vivência histórica de um povo, sejamos cristãos ou não, é também uma pista de que a ostentação de títulos e herança aristocrática não passa de fetiche para perpetuar uma injustiça milenar: a de haver sempre uma minoria que comanda e explora e uma maioria que é comandada e sustenta o custo das jóias da coroa e outras mordomias.&lt;br /&gt;Nesse sentido, considero interessante reverter esse resgate de simbologias diversas (grega, cristã e shakespeareana) para nosso contexto, tendo em vista um momento em que os desmandos da República possam talvez nos fazer aspirar, em nossa imaginação, por antigos contos de fadas com príncipes valentes salvadores da Pátria. Que descendentes de antigos déspotas, saudosos dos tempos em que desfrutavam impunemente da exploração do trabalho dos súditos no país, ainda preservem esse ideal anacrônico, compreende-se. Contudo que nós, meros plebeus, rendamos ainda qualquer reverência a uma ideologia pautada na desigualdade hereditária entre as posições sociais, já se deve questionar e colocar em xeque, no mínimo, a partir das três tradições citadas aqui. Pois ainda outras vozes poderão ser ouvidas e também falarão em favor da igualdade entre as pessoas, pela construção de um mundo, quem dera, sem reis nem mendigos de nenhum tipo, mas feito só com homens livres, soberanos de seu próprio destino.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7888604696228809116-2742495816513493489?l=ninhodesentidos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ninhodesentidos.blogspot.com/feeds/2742495816513493489/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7888604696228809116&amp;postID=2742495816513493489' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7888604696228809116/posts/default/2742495816513493489'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7888604696228809116/posts/default/2742495816513493489'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ninhodesentidos.blogspot.com/2008/04/sobre-reis-e-mendigos.html' title='Sobre reis e mendigos'/><author><name>Achilles Delari Junior</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00363322332993826154</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_mCNX4vGC2uc/Sx8y7-srPgI/AAAAAAAAAHM/CzCo559bAhQ/S220/Nova+Imagem.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7888604696228809116.post-546569594816806943</id><published>2008-03-28T17:40:00.000-07:00</published><updated>2010-08-20T17:06:59.967-07:00</updated><title type='text'>A arte do diagramador</title><content type='html'>A Tribuna do Povo, Umuarama, sexta-feira, 28 de março de 2008.&lt;br /&gt;Espaço do Leitor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Você que está lendo este jornal nesse exato momento, certamente sabe da importância dos profissionais que aparecem no expediente, nessa mesma página dois: os diretores e a editora. Sabe ainda, por conhecimento geral, que num jornal trabalham também repórteres e fotógrafos. Caso seja anunciante, com certeza já teve contato até com profissionais do setor comercial desse jornal. E se visitou as instalações d’A Tribuna do Povo, percebeu a importância do trabalho da atendente na recepção e pode ter passado pela simpática e competente senhora responsável pela limpeza e boa arrumação do local. Além disso, muito importantes são os entregadores que fazem essa mídia impressa chegar até você, que é o interlocutor principal, a razão de ser da imprensa em sua função social e política mais nobre, que é informar, apresentando os fatos em diferentes versões, permitindo construir verdades pelo diálogo – cuja compreensão e avaliação caberá a quem lê. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Contudo, eu lhe perguntaria: você sabia que todo jornal tem também diagramadores? Já ouviu falar do que venha a ser a diagramação? Nem todos sabemos, mesmo pessoas bastante instruídas ou que ocupam cargos de destaque podem ignorar a existência dessa profissão que, como tantas que conhecemos em nossa sociedade, assemelha-se também a uma arte. Quem leu a coluna Sebastião Dias n’A Tribuna de quinta-feira, notou que hoje, 28 de março, é o “Dia do Diagramador”. E também por menção a esta data quero aqui render minha pequena homenagem a esses profissionais, com apreço e afeto especial para o Alexandre, o Paulo e o Wilson que trabalham diariamente na produção desse jornal que você lê agora, mas também para todos os demais diagramadores de Umuarama, que atuam em todo o ramo gráfico, ligado à imprensa ou não.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Para quem não sabe, a arte de diagramar consiste basicamente em transformar textos digitados e fotos capturadas em páginas completas, com toda a programação visual, toda a formatação e estética que o leitor final recebe todos os dias, nas bancas ou como assinante. Imagine que esse texto que escrevo aqui foi feito em casa, no meu computador, num processador de texto como o Word for Windows, mas para ganhar a forma que tem agora nessas três colunas, com essa fonte “Arial”, com o negrito para o meu nome, com a fonte “Times” com itálico no título, com essa exata posição na parte esquerda no alto da página, além de tudo o mais que você vê nela, “títulos”, “retranca”, “olho”, “legendas”, “imagens”, “fios”, “paginação”, “cabeçalho”, etc., isso dependeu totalmente do trabalho e da arte do diagramador.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;Não quero passar aqui uma mensagem corporativista, de defesa apenas daqueles que fazem parte de um mesmo meio, ou com os quais podemos ter o prazer de dividir uma sala de trabalho, mas gostaria antes de aproveitar esse momento para lançar o desafio de uma reflexão pessoal e social importante, no meu entendimento: quantas vezes aqueles que nem vemos, ou mesmo nem sabemos que existem, estão justamente trabalhando duro para que tenhamos acesso a certos bens que nos são essenciais? Logicamente isso não serve apenas para o diagramador, como também para tantas e tantas profissões anônimas, “invisíveis”, cujo nome sequer consta em campos de cadastros oficiais.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Desse modo, não posso deixar de lembrar Brecht, mais uma vez, em suas clássicas “Perguntas de um operário que lê”: “Quem construiu Tebas, a das sete portas? Nos livros vem o nome dos reis, Mas foram os reis que transportaram as pedras? Babilônia, tantas vezes destruída, Quem outras tantas a reconstruiu? (...) Em cada página uma vitória. Quem cozinhava os festins? Em cada década um grande homem. Quem pagava as despesas? Tantas histórias. Quantas perguntas”. Você, trabalhador que lê, sempre pergunta e sabe as respostas. Quem eventualmente escreve também deve perguntar, lembrar e render seus votos de respeito a quem permite que o que se escreve possa ser impresso.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7888604696228809116-546569594816806943?l=ninhodesentidos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ninhodesentidos.blogspot.com/feeds/546569594816806943/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7888604696228809116&amp;postID=546569594816806943' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7888604696228809116/posts/default/546569594816806943'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7888604696228809116/posts/default/546569594816806943'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ninhodesentidos.blogspot.com/2008/03/arte-do-diagramador.html' title='A arte do diagramador'/><author><name>Achilles Delari Junior</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00363322332993826154</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_mCNX4vGC2uc/Sx8y7-srPgI/AAAAAAAAAHM/CzCo559bAhQ/S220/Nova+Imagem.png'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7888604696228809116.post-4728487072302088548</id><published>2008-03-23T15:47:00.001-07:00</published><updated>2008-03-23T17:22:59.903-07:00</updated><title type='text'>Ressurreição</title><content type='html'>A Tribuna do Povo, Umuarama, domingo, 23 de março de 2008&lt;br /&gt;Espaço do Leitor&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho como um valor pessoal não me ater muito a datas comemorativas, exceto aniversários das pessoas, por serem singulares. No mais, muito do que se celebra na maior parte das datas comemorativas deve ser mesmo respeitado em todos os dias do ano. Contudo, no caso da Páscoa, algumas palavrinhas, como diria meu colega Paulo na Tribuna: “vêm a calhar”. De todos os sentidos sociais e subjetivos da palavra Páscoa, o que mais me impacta é o de “ressurreição”... Poderia ser antes o genérico de “passagem”, poderia ser o mais antigo de “libertação do povo hebreu do Egito”, poderia ser, muito depois, o da “comemoração festiva” entre familiares e a entrega de ovos, símbolos de vida, para as crianças ou até mesmo os adultos. Mas a palavra “ressurreição” e seus sentidos são muito fortes, muito marcantes, ao ponto de não podermos sair ilesos ao refletirmos sobre ela, sobre o que ela significa. Um simples conhecimento corriqueiro que não consigo deixar de ter em mente agora é o da palavra “domingo” em língua russa. Aprendi muito pouco dessa língua é verdade, mas algo curioso e bonito é o fato de que “domingo” em russo é “voskriescênie” que significa literalmente também “ressurreição”. Tanto que há um livro de Tolstói com esse título “Voskriescênie” – traduzido como “Ressurreição” e não como “domingo”. Interessante que uma cultura (mesmo num país outrora comunista e com o ateísmo como posição estatal para a questão religiosa) usasse, desde os tempos mais antigos, para designar o primeiro dia da semana, o dia de descanso sagrado dos trabalhadores de todo o mundo, a palavra “ressurreição”. Que dia é hoje? Hoje é ressurreição! Se fosse entre nós soaria assim. Uma ressurreição por semana. Mas quem dera a mensagem da Páscoa nos venha atingir hoje, e aqui, onde o nome do dia não parece ter a ver com isso, ainda de um modo mais contundente e radical: ressurreição é sempre, todos os dias. São diariamente pequenas mortes, dores e perdas... O sono mesmo, segundo Shakespeare, poderia ser considerado um “prelúdio da morte”... Sempre o sono, mas também sempre o despertar. Disse o dialético grego Heráclito “todo dia é dia de vida e dia de morte”... Todo dia é dia de morte e de ressurreição... É o mistério da existência, é o sagrado residindo em cada um de nós. Somos finitude, do pó ao pó, mas também somos eternidade, na promessa de ressurreição nossa, na realidade da Ressurreição d´Ele. Mesmo para quem crê que somos apenas pó das estrelas e um dia a elas retornaremos: eternos ainda. Mesmo que seja como sentidos a serem recobrados perpetuamente pelas novas gerações... lembraremos o marxista chinês Mao ao dizer que eternos somos “o tempo e o povo”, ou ficaremos com o católico russo Bakhtin, para quem “Nada está morto de forma absoluta, todo o sentido celebrará um dia um dia o seu Renascimento”... Feliz “domingo” para você, feliz “voskriescênie”. Feliz Ressurreição, feliz Páscoa!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7888604696228809116-4728487072302088548?l=ninhodesentidos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ninhodesentidos.blogspot.com/feeds/4728487072302088548/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7888604696228809116&amp;postID=4728487072302088548' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7888604696228809116/posts/default/4728487072302088548'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7888604696228809116/posts/default/4728487072302088548'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ninhodesentidos.blogspot.com/2008/03/ressurreio_23.html' title='Ressurreição'/><author><name>Achilles Delari Junior</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00363322332993826154</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_mCNX4vGC2uc/Sx8y7-srPgI/AAAAAAAAAHM/CzCo559bAhQ/S220/Nova+Imagem.png'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7888604696228809116.post-4043303567657789927</id><published>2008-03-23T15:43:00.000-07:00</published><updated>2008-03-23T15:46:51.501-07:00</updated><title type='text'>Política</title><content type='html'>A Tribuna do Povo, Umuarama, domingo, 23 de março de 2008&lt;br /&gt;Coluna "Qual é a sua?" / seção "palavra-chave"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa acepção mais restrita, de senso comum, a política se define como atividade exercida por “políticos de carreira”, ou seja, o trabalho de pessoas eleitas para cargos no legislativo e no executivo. Tal sentido da palavra pode evocar tanto um bom exercício desse trabalho (nobre, lícito e necessário para a sociedade), quanto um ruim (interesseiro, oportunista e parasitário). Esta última evocação leva muitas pessoas a dizer “isso não me interessa, é coisa de político”, etc. Mas há outro sentido da palavra, mais profundo e amplo: o da política como toda atividade exercida por qualquer cidadão em função do interesse público, da vida coletiva, do bem comum. Esta acepção também pode derivar em duas: o campo macropolítico (relações humanas na “cidade”) e o micropolítico (relações humanas interpessoais). Tanto a política “stricto sensu” (atividade do executivo e do legislativo), Política quanto a política “lato sensu” (atividade de todo cidadão na vida pública ou interpessoal), implicam relações de poder, que se podem exercer de modo mais democrático ou mais autoritário, lícito ou ilícito, em função dos interesses em jogo e dos princípios que orientam a ação humana em cada caso. Portanto, é hoje praticamente impossível nos apartarmos totalmente da política “lato sensu”, ou seja, relativa às relações sociais em geral. A origem do termo “política” está no grego “pólis” que significa “cidade” e assim tudo o que se passa na cidade é do campo político. Isto é, tudo o que envolve as relações humanas: nas praças, nas ruas, nos centros de lazer, nas escolas, nos postos de saúde, na biblioteca, no teatro, no estádio, no mercado, na feira, nas relações de trabalho, em todos os lugares em que nos encontramos para experimentar a vida em comum com nossos semelhantes, mediante determinadas regras de conduta que sejam válidas para todos. A ação cidadã envolve assim também a participação de cada um na definição dos rumos que deve levar a vida na cidade, inclusive nas prefeituras, conselhos municipais, câmaras de vereadores e demais fóruns públicos. Ademais, supõe-se que a mesma democracia, honestidade e transparência que almejamos nesse campo macropolítico deva ser praticada em nossas relações micropolíticas, inter-pessoais, nos espaços mais íntimos e reservados, da amizade, da família e das relações amorosas. As quais talvez possamos também localizar no campo ético (“êthos”: morada, lugar de aconchego; ao passo que na “pólis” ainda não há aconchego). Como disse Aristóteles, o homem é “zoom politicom” (animal social, que vive na “pólis”). Disso não podendo escapar, talvez precisemos tomar consciência desta nossa condição vital. Nesse sentido amplo, vale a pena perguntar: Qual é a sua política?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7888604696228809116-4043303567657789927?l=ninhodesentidos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ninhodesentidos.blogspot.com/feeds/4043303567657789927/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7888604696228809116&amp;postID=4043303567657789927' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7888604696228809116/posts/default/4043303567657789927'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7888604696228809116/posts/default/4043303567657789927'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ninhodesentidos.blogspot.com/2008/03/poltica.html' title='Política'/><author><name>Achilles Delari Junior</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00363322332993826154</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_mCNX4vGC2uc/Sx8y7-srPgI/AAAAAAAAAHM/CzCo559bAhQ/S220/Nova+Imagem.png'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7888604696228809116.post-3736668415739776356</id><published>2008-03-23T15:26:00.000-07:00</published><updated>2008-03-23T15:32:01.350-07:00</updated><title type='text'>Há ética no silêncio?</title><content type='html'>A Tribuna do Povo, Umuarama, quarta-feira, 19 de março de 2008&lt;br /&gt;Espaço do Leitor&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ética tem uma relação com a fala. Digo isso por um motivo simples: quando nós tão somente dizemos que uma ação humana é “boa” ou “ruim”, o ato de comunicar a alguém tais valores já nos marca uma necessidade social de agir também de acordo com eles. Se não agimos de acordo com o que os outros dizem ser o certo, podemos ainda nos justificar: “mas estes não são os meus princípios”. Mas se fazemos diferente daquilo que nós mesmos dizemos ser correto, expomos aos demais nossa incoerência e caímos em descrédito frente às consciências mais exigentes, inclusive a nossa própria se estiver entre elas. A ética como tal não é só uma questão de palavras, mas, sobretudo, de ações em conformidade com valores. Só que o modo humano de atribuir valor às coisas e às nossas próprias ações é mediado pelas palavras. Dizer é assumir uma posição. Se assumo posição posso ser criticado, se posso ser criticado tenho a oportunidade de refazer meu pensamento e reavaliar minhas atitudes. Por princípio, nossas palavras seriam portadoras de um determinado compromisso, por alguns levado mais a sério por outros talvez nem tanto. É nesse ponto que a questão da relação da ética com o silêncio começa a se insinuar. Em princípio, silenciar frente a qualquer situação em que se necessite avaliar a adequação de determinadas ações humanas, seja no âmbito privado ou no da vida pública, pode soar tão somente como omissão. Contudo, vimos sofrendo de um tão forte e crônico descrédito para com as palavras, empenhadas nas mais diferentes tribunas, que muitas vezes chega a nos parecer melhor não dizer mais nada. Não opinar quando não formos estritamente chamados a opinar, ou nem mesmo nesse caso. “Lavar as mãos”? O fato é que muitos dos que mais se pronunciam sobre o que quer que seja, desde a situação política em Cuba ao buraco da rua em frente, já não nos inspiram tanta confiança. Ademais, entre o dizer e o ser ora abriu-se um abismo. E ficamos diante do imenso desafio de selecionar o que realmente vale a pena falar, num mundo em que nos perguntamos, com o poeta: “quais são as palavras que nunca são ditas?” Das determinações do governo de Lula, à escalação do Corinthians para o último clássico, o que mais há para criticar? Que sugestões há ainda para se dar, que dezenas de especialistas mais qualificados já não tenham dado, como elogio ou como reprovação? Calarmonos diante da superfaturação da palavra, já tão banalizada, repetida, propagada, copiada e colada mesmo antes de ter sido lida, seria ainda apenas uma omissão, ou já não traria também algo de bom senso, de resistência e de atitude ética? Suspeitar que haja ética em não falar para não banalizar algo tão sagrado como a palavra e os compromissos que ela antes deveria marcar, não deixa de ser doloroso. Assim como o ser humano não é para ser só, também não é para se calar. No entanto, para bom entendedor, um breve e digno silêncio poderá ainda dizer de um sério compromisso, sobre o qual agora devemos nos calar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7888604696228809116-3736668415739776356?l=ninhodesentidos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ninhodesentidos.blogspot.com/feeds/3736668415739776356/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7888604696228809116&amp;postID=3736668415739776356' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7888604696228809116/posts/default/3736668415739776356'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7888604696228809116/posts/default/3736668415739776356'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ninhodesentidos.blogspot.com/2008/03/h-tica-no-silncio.html' title='Há ética no silêncio?'/><author><name>Achilles Delari Junior</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00363322332993826154</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_mCNX4vGC2uc/Sx8y7-srPgI/AAAAAAAAAHM/CzCo559bAhQ/S220/Nova+Imagem.png'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7888604696228809116.post-6635929907252859357</id><published>2008-03-23T15:12:00.000-07:00</published><updated>2008-03-23T15:15:40.675-07:00</updated><title type='text'>Linguagem</title><content type='html'>A Tribuna do Povo, Umuarama, domingo, 9 de março de 2008&lt;br /&gt;Coluna "Qual é a sua?" / seção "palavra-chave"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Disse um pensador contemporâneo que o século XX foi o “século da linguagem”, no campo do pensamento sistemático. Nunca se falou tanto sobre o tema, nem o homem se voltou tanto para sua própria condição. Mas questiona-se: por que apenas após vinte e cinco séculos de filosofia esse tema tão importante para a existência humana foi vir à tona como algo central? A resposta para esse paradoxo é dada numa analogia e mesmo ironia: “se os peixes fizessem filosofia, o último tema para o qual dariam grande ênfase seria a água”. A linguagem, assim, é para nós “o ar comum que banha o globo”, parafraseando Walt Whitman. Estamos tão cercados por ela e está tão presente em nossas vidas que pode passar por algo invisível, natural ou corriqueiro. Nem por isso deixa de nos ser tão vital quanto o próprio ar que respiramos. Em sua dupla função: comunicação social e organização do nosso psiquismo (pensamentos e sentimentos), esta nossa “ferramenta imperfeita” não pode tudo, mas ainda assim tem poder e o confere. É não é apenas algo com o que se luta, mas também pelo que se luta. Desse modo, não só os profissionais das letras dedicam-se a ela, à compreensão da gênese, estrutura e dinâmica dos sentidos e significados de uma palavra ou de um signo não verbal... Mas também antropólogos, psicanalistas, psicólogos, dramaturgos, cineastas, advogados, jornalistas, fonoaudiólogos, pedagogos, psiquiatras, entre outros. A função primeira da linguagem em suas diferentes modalidades é significar, para algo significar precisa dizer sobre alguma coisa para alguém. Sobretudo, só se pode produzir sentido quando o que dizemos se dirige a um interlocutor: todo enunciado solicita uma réplica, uma crítica, uma apreciação. A linguagem é assim um sinal de que o ser humano não nasce para viver de modo isolado, pois justo o recurso que utilizamos para nos comunicar com outrem é a substância do nosso modo de pensar e sentir o mundo, a nossa linguagem interior, as vozes de nossa consciência. Além disso, diferentes “tribos”, grupos sociais, práticas profissionais, etc., constituem suas próprias formas de significar o mundo, de designá-lo e dizê-lo. O político fala de um modo, o religioso fala de outro, o artista de outro, e assim também o professor, o cientista, o jornalista, o advogado, o médico, o jogador de futebol. Nossas diferentes linguagens sociais são a expressão e a constituição também daquilo que somos, de nossas vidas, paixões, ideais e ofícios. Nesse sentido é que é cabe também perguntar: “Qual é a sua linguagem?”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7888604696228809116-6635929907252859357?l=ninhodesentidos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ninhodesentidos.blogspot.com/feeds/6635929907252859357/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7888604696228809116&amp;postID=6635929907252859357' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7888604696228809116/posts/default/6635929907252859357'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7888604696228809116/posts/default/6635929907252859357'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ninhodesentidos.blogspot.com/2008/03/linguagem.html' title='Linguagem'/><author><name>Achilles Delari Junior</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00363322332993826154</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_mCNX4vGC2uc/Sx8y7-srPgI/AAAAAAAAAHM/CzCo559bAhQ/S220/Nova+Imagem.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7888604696228809116.post-998445121208858821</id><published>2008-03-23T14:56:00.000-07:00</published><updated>2008-03-23T15:07:50.767-07:00</updated><title type='text'>O Homem como valor maior</title><content type='html'>A Tribuna do Povo, Umuarama, domingo, 9 de março de 2008&lt;br /&gt;Espaço do Leitor&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certas coisas na nossa sociedade podem nos fazer rir ou chorar. Mas como disse o pensador Baruc de Espinosa, nossa mente deve procurar nem rir ou chorar, mas compreender. É interessante que um dia se veja, num periódico importante da cidade, alguns defendendo o homem por analogia aos animais de raça pura, os de “pedigree”, e outro dia se veja outra pessoa defendendo os próprios animais contra a maldade do homem, principalmente, portanto, os “vira-latas” que não têm quem deles cuide. Dois pólos diferentes um no campo retórico outro no campo do Direito. Nos dois casos, algum desnível no peso da balança da retórica (como meio) com os valores (como fins) parece se dar. Pois cabe perguntar qual é o valor maior? Numa ética humanista seria o próprio Homem. À ética na qual o homem não é um fim em si, mas um meio para a realização das supostas necessidades da natureza, que nome se daria? Naturalista? Pressupõe-se que quando as necessidades do homem já estão todas atendidas, ele passará a se ocupar da teleologia dos animais, ou deve o homem, mesmo diante da falta de gaze nos postos de atendimento de saúde, da violência e tráfico de drogas, do número crescente de mendigos nas ruas, da precariedade nas condições de trabalho das pessoas, preocupar-se já com o “abandono” de animais? Será que as necessidades humanas já estão todas atendidas? Ninguém, em sã consciência, defenderá que seja lícito causar injustificadamente dor a qualquer ser vivo. Digo injustificadamente, pois todos nós que comemos carne sabemos muito bem que os animais que nos cedem sua carne são sacrificados de modo bastante doloroso, no entanto, não sentimos culpa com isso. Até aí, vamos em concordância. Mas imaginem a situação em que uma família cria um pequeno animal, como uma gata, e esta, na fila por uma operação para não ter mais filhotes, tem uma ninhada de quatro. Não é possível cuidar de todos, então, sem haver ainda outra opção, se tem que dispensar, após já estarem em condições de se cuidar, três deles pela rua para que a natureza os acolha, e seus instintos se façam valer. Pela lei de defesa dos maus tratos contra animais, temos um “crime”! Um crime que pode por na cadeia o pai de família que o cometa, sabe Deus se a família toda por formação de quadrilha, já que todos concordam com o delito. E quem não denunciar que se sinta conivente ou cúmplice? E o órgão competente que tentar mediar a denúncia e relativizar o peso da culpa que se sinta descumprindo a lei, ou incorrendo em “prevaricação”? Realmente, levar tais determinações ao pé da letra não geraria uma neurose tal que faria com que aquela mesma família, que não tem recursos para sustentar toda as ninhadas que vierem de seu animal e dos filhotes dela, a desistir de ter animais de estimação em sua casa? Não seria esse um crime maior? Como disse Espinosa, devemos tentar compreender, por mais difícil que seja. Mas o fato é que vivemos em tempos de inversão de valores. Lembremos o caso dos preguiçosos ursos panda, uma espécie em extinção que se recusa a reproduzir-se. Pelo princípio da evolução de Darwin, os mais adaptados devem sobreviver, mas o homem insiste em que os menos adaptados continuem a sobreviver, mesmo sem ter mais quaisquer condições. Em nome de quê? Seria por que são “belos animais”, seria pela prepotência do homem em mostrar que tem capacidade técnica para fazer com que vivam mesmo os que não têm mais condições de viver? Brincando de Deus? Difícil saber, pois até organizações não governamentais se unem (e com recursos não só não governamentais, mas também com dinheiro público) para tratar de animais que para a natureza não têm mais significado no sentido evolutivo. Assim também podemos nos ver diante do “problema” da proliferação dos animais “domésticos”. Quem domesticou os animais foi o homem, aliás, diga-se de passagem, o primeiro animal doméstico sobre a face da Terra foi o próprio homem. Não é da natureza dos animais serem cuidados pelo ser humano. Foi algo criado por uma necessidade nossa, seja para ajudar na caça, seja para a proteção da casa, seja mais tarde para ensinar às crianças o valor da vida e de se protegê-la, seja por fim talvez até por vaidade de ostentar um animal com pedigree. Mas se a vida é o valor maior, o expoente máximo da complexidade da manifestação da vida sobre o planeta ainda é o homem, ou não? O ser que mais demanda cuidados ainda é o homem. Nenhum animal nasce tão dependente do cuidado dos genitores do que o ser humano. Os outros animais têm recursos biológicos para se virarem, ou para perecer se a natureza não colaborar. Sendo assim, é preciso não desviar o foco de atenção ética, de modo que questões urgentes no campo da vida humana sejam, mesmo que por algumas linhas, eclipsadas pelo amor, ainda que sincero, aos nossos irmãos animais. A ética humanista confere sentido à ética naturalista, e não o contrário. Na natureza sem a intervenção do homem, valeria tão somente a lei do mais forte. Infelizmente, tem ocorrido uma séria inversão dos valores, para os seres humanos entre si se usa a lei do mais forte, para os animais se usa a lei do cuidado para com os que têm dificuldades em se manter vivos sem o auxílio do homem. Talvez seja esse o paradoxo que mais nos inquieta diante de certas intervenções naturalistas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7888604696228809116-998445121208858821?l=ninhodesentidos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ninhodesentidos.blogspot.com/feeds/998445121208858821/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7888604696228809116&amp;postID=998445121208858821' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7888604696228809116/posts/default/998445121208858821'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7888604696228809116/posts/default/998445121208858821'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ninhodesentidos.blogspot.com/2008/03/o-homem-como-valor-maior.html' title='O Homem como valor maior'/><author><name>Achilles Delari Junior</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00363322332993826154</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_mCNX4vGC2uc/Sx8y7-srPgI/AAAAAAAAAHM/CzCo559bAhQ/S220/Nova+Imagem.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7888604696228809116.post-8327069945583281570</id><published>2008-03-23T14:34:00.000-07:00</published><updated>2008-03-23T14:54:58.730-07:00</updated><title type='text'>O valor da palavra impressa</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;A Tribuna do Povo, Umuarama, quinta-feira, 6 de março de 2008&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Espaço do Leitor&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:9;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Nos nossos tempos, de tecnologia mais acessível, torna-se mais barato e rápido enviar um e-mail (correio eletrônico) do que escrever uma carta. Não que seja gratuito, sempre há o custo proporcional de cada mensagem: para obter um computador (talvez maior do que com papel e tinta) e para pagar por uma conexão (talvez maior do que o usual com correio convencional). Mas o custo proporcional é menor em função da grande quantidade de material escrito que se pode enviar por um computador ligado à internet, com segurança e entrega imediata para várias pessoas. Algo que impresso teria custos inviáveis para pessoas físicas ou até pequenas e médias empresas.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:9;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Porém, pergunto: todo o material eletrônico que se envia e recebe diariamente tem o mesmo valor simbólico que teria se fosse impresso? De tão fácil de enviar e receber também não se torna ainda mais fácil de ignorar e/ou descartar? Em alguns casos reconheço que o valor acaba sendo o mesmo. Há panfletos publicitários, anúncios de vários tipos e até pequenos catálogos ou revistas gratuitas que recebo por correio convencional, que sequer abro e mando logo para a reciclagem. Mas nem sempre se dá o mesmo.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:9;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Imaginem se uma carta ou cartão de aniversário ou natal, mesmo um bilhete ou telegrama, impressos ou manuscritos, que alguém receba de uma pessoa amiga, seria jogado fora com a mesma facilidade com que se deleta (apaga) um e-mail ou um scrap (mensagem) no orkut... Para mim, pelo menos, não. Um cartão de uma pessoa amiga impresso e assinado me parece ter outro valor que não o de uma imagem, até do mesmo teor, num monitor de computador. Há quem guarde, arquive e releia depois, mesmo suas mensagens eletrônicas. Eu o faço. Mas noto que não têm o mesmo peso simbólico, a mesma personalização, a mesma indicação de empenho e dedicação do remetente no ato do envio.&lt;/span&gt;&lt;o:p style="font-family: verdana;"&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:9;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Não é só uma questão de saudosismo, de fato há muito tempo não recebo algo pessoal pelo correio. Mas quero conduzir o diálogo&lt;/span&gt; &lt;span style="font-family:verdana;"&gt;aqui para a distinção entre a palavra veiculada em mídia digital e a palavra impressa. Atentem apenas para o seguinte: aquilo que recebemos de mais especial nas próprias mensagens eletrônicas não nos incentiva mesmo a imprimi-las para podermos ler não só na tela, mas também em nossas próprias mãos? A estética (a sensibilidade) envolvida, não é outra? Temos o tato, temos a noção da totalidade do volume do texto. Será que alguém hoje já prefere um e-book a um livro impresso, salvo pela possibilidade de aplicar recursos de busca e hiperlinks? Ainda penso que seja preferível um livro real com um bom índice remissivo. &lt;/span&gt;&lt;o:p style="font-family: verdana;"&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:9;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;      &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;A sensação de se ler um livro impresso é outra. O domínio sobre o material é diferente, e mesmo a forma de fazermos nossas anotações sobre ele tem sua peculiaridade. Se não for assim, digam-me apenas se ao ganhar um livro ou uma coleção de presente, científicos ou ficcionais, técnicos ou de entretenimento, você ficaria mais contente com algo impresso ou com um arquivo de ou um pacote baixado pelo e-mule? O caráter descartável, de reprodução em série instantânea, faz da palavra digital algo mais trivial e, para alguns, até banal. Se perco, logo recupero. Se apago, logo “baixo” outra vez. Não há relação de pertencimento, não há marcas pessoais como, por exemplo, num livro com uma dedicatória – peça única, que extraviada causa sensação de perda.&lt;/span&gt;&lt;o:p style="font-family: verdana;"&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:9;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Por fim, além da carta e do livro, quero falar sobre outra forma de escrita, onde a tinta sobre o papel faz bastante diferença, que é a da publicação de nossas palavras. Pensemos no caso de um artigo de jornal como esse que eu escrevo ou algum que você deseje escrever para este periódico. Não é diferente a sensação de vermos impressas nossas palavras num jornal do que a de vermos as mesmas palavras publicadas num “blog” ou num “site”? Por mais que o número de pessoas&lt;/span&gt; &lt;span style="font-family:verdana;"&gt;que as possa acessar, em tese, seja maior? O jornal, contudo, trabalha com três operadores básicos, nem sempre dados na cena virtual: 1) a seletividade – nem tudo se publica, já na internet toda e qualquer coisa pode estar “on line”; 2) a responsabilidade – tudo o que&lt;/span&gt; &lt;span style="font-family:verdana;"&gt;se diz se deve assumir pessoalmente, pois leva assinatura, já na internet se pode pô-la ou não; 3) a irreversibilidade – o que é publicado num jornal não pode ser depois “corrigido”, “autalizado” ou “deletado” como numa página da web.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:9;"  &gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;É outra relação com a escrita. Prova disso é que recentemente um amigo meu, que publicou um texto aqui n’A Tribuna do Povo, pôs o mesmo conteúdo no seu blog, mas fez questão de também disponibilizar uma cópia digitalizada do impresso no jornal. Socializando, portanto, não só a idéia do texto, mas também o fato social simbólico de tê-la posto a público num jornal, esse veículo secular ainda tão atual. São signos simples, mas importantes, do valor da palavra impressa.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7888604696228809116-8327069945583281570?l=ninhodesentidos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ninhodesentidos.blogspot.com/feeds/8327069945583281570/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7888604696228809116&amp;postID=8327069945583281570' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7888604696228809116/posts/default/8327069945583281570'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7888604696228809116/posts/default/8327069945583281570'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ninhodesentidos.blogspot.com/2008/03/tribuna-do-povo-umuarama-quinta-feira-6.html' title='O valor da palavra impressa'/><author><name>Achilles Delari Junior</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00363322332993826154</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_mCNX4vGC2uc/Sx8y7-srPgI/AAAAAAAAAHM/CzCo559bAhQ/S220/Nova+Imagem.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7888604696228809116.post-8676979038715251498</id><published>2008-03-23T14:24:00.000-07:00</published><updated>2008-03-23T14:27:57.889-07:00</updated><title type='text'>Ideologia</title><content type='html'>A Tribuna do Povo, Umuarama, 2 de março de 2008&lt;br /&gt;Coluna "Qual é a sua?" / seção "palavra-chave"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa interpretação mais literal, pautada nos componentes da palavra, “ideologia” seria exatamente o “estudo das idéias” ou, mais precisamente, o “discurso sistemático sobre a formulação das idéias e sua função”. Não é esse o significado hoje mais usual para o termo. Pode haver ainda outras acepções, mais científicas ou mais cotidianas, mas aqui nessa coluna e nessa edição do jornal duas principais merecem destaque: uma delas é a de ideologia como “falseamento do real” e a outra como “visão de mundo”. A primeira, proposta pelo pensador alemão Karl Heinrich Marx (1818–1883), implicava a definição da ideologia como uma concepção parcial das coisas, formulada a partir de um determinado grupo ou classe social, que se faz passar por concepção universal, válida para todos os grupos ou classes. Desse modo a ideologia seria um falseamento do real, uma meia verdade mostrada como verdade total ou absoluta. Segundo essa concepção filosófica, as visões ideológicas seriam o contrário das visões críticas ou científicas, associando-se desse modo a ideologia à alienação. Por exemplo: (a) o racismo, o anti-semitismo, a busca por uma “raça pura” seriam componentes da ideologia nazifacista; (b) o individualismo, a concorrência sem freio e a lei do mais forte para a obtenção de sucesso pessoal, seriam componentes da ideologia liberal capitalista. Verdades que valem para uma parte da sociedade, não valem para toda ela, mas são pregadas como se valessem, mesmo que nem todos possam pô-las em prática a custo de, ao fazê-lo rumar para a própria aniquilação. A ideologia, nessa acepção do termo é nociva, pois cria uma cisão na consciência humana entre o que se pensa e o que se pode realmente fazer, de modo que os desejos que se tem nunca se realizam, como no caso de um operário que sonhe ter um carro importado para ser feliz, ou de um jovem que sonhe namorar uma mulher com o corpo daquelas das propagandas de cerveja da televisão, para se sentir sexualmente satisfeito. A ideologia só pode se realizar desse modo num “simulacro”, ou seja, numa cópia, numa fantasia, como um pôster de uma Ferrari na oficina do operário, ou um vídeo da garota-propaganda no computador do jovem. O que nos faz refletir muito seriamente sobre o caráter de patologia psicossocial do qual está impregnada a ideologia, que, nesse sentido do termo, torna-se um vício e um anestésico, um “ópio do povo”. Mas felizmente as palavras nunca têm um só sentido. O pensador italiano Antônio Gramsci (1891-1937), já não via a ideologia apenas com um alienante falseamento do real, mas sim como sinônimo de “visão de mundo”, ou “cosmovisão”, palavra que traduz termos como o inglês “worldview”, e o clássico alemão “weltanschauung”. Nesse caso todos nós temos nossas visões de mundo, nossas verdades, as quais se confrontam com outras e formam relações simbólicas no tecido social. O teísmo e o ateísmo, o cristianismo e o budismo, o liberalismo e socialismo, o materialismo e idealismo, e muito mais. O problema é que os dois sentidos da ideologia se juntam. Mas “visão de mundo” todos temos, não há como não ter. Parte dela crítica outra parte alienada, pois ninguém pode ser totalmente consciente do que é de fato o real, a ponto de em nada falseálo. É uma luta constante, dentro de nós, em busca de uma compreensão melhor das coisas – a qual só pode se dar quando entramos em diálogo com quem pensa diferente de nós... com o outro – com a “alteridade” como dizem os filósofos. E é nesse sentido que aqui vale a pena perguntar: Qual é a sua ideologia?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7888604696228809116-8676979038715251498?l=ninhodesentidos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ninhodesentidos.blogspot.com/feeds/8676979038715251498/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7888604696228809116&amp;postID=8676979038715251498' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7888604696228809116/posts/default/8676979038715251498'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7888604696228809116/posts/default/8676979038715251498'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ninhodesentidos.blogspot.com/2008/03/ideologia.html' title='Ideologia'/><author><name>Achilles Delari Junior</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00363322332993826154</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_mCNX4vGC2uc/Sx8y7-srPgI/AAAAAAAAAHM/CzCo559bAhQ/S220/Nova+Imagem.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7888604696228809116.post-1779954540036357782</id><published>2008-03-23T14:13:00.000-07:00</published><updated>2008-03-23T14:19:59.743-07:00</updated><title type='text'>É preciso ter raça,  não pedrigree...</title><content type='html'>A Tribuna do Povo, Umuarama, domingo, 2 de março  de 2008&lt;br /&gt;Espaço do Leitor&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O “espaço do leitor” d’A Tribuna do Povo de ontem, sábado, publicou o bom artigo “Sim, nós temos pedigree”, assinado pela União de Jovens Culturanja. Ele teve como linha argumentativa o contraponto sociológico ao dito “complexo de vira-lata”, termo de Nelson Rodrigues para a atitude de alguns brasileiros diante de uma suposta “superioridade” dos estrangeiros (nos esportes, artes, ciência, indústria, etc.). Complexo dotado ou não da consciência dos motivos econômicos e políticos para as limitações materiais de países colonizados como o Brasil. Um texto bem escrito falando, em teoria, do resgate duma boa auto-estima quanto aos valores nacionais. Contudo, quero destacar um lapso significativo na retórica do referido artigo. Trata-se de ter buscado uma imagem metafórica de algo elevado em valores que promovem uma visão discriminatória - que opõe o “vira-lata” ao “com pedigree”. Por ingenuidade ou descuido, passa uma alusão implícita à velha ideologia da “raça superior”. Que significa “pedigree”, senão uma “pureza da raça”, uma “estirpe”, uma “superioridade inata”? Mas nós brasileiros não temos “pedigree”, somos miscigenados, híbridos, misturados, plurais, polifônicos, e nisso reside nossa força. Em nome daquilo em que concordo com os autores, o “resgate da boa auto-estima”, cabe perguntar: “e quem não tem pedigree?”; “e quem não é de raça pura?”; “e quem não é célebre?”. Um erro, para mim, é tentarmos nos livrar de símbolos de inferioridade trazendo a linguagem para o outro extremo: o de proclamar devermos ter qualidades “refinadas” de “nobreza”, “realeza”, “superioridade”, “estirpe”, “excelência”, “celebridade”, “pedigree”. Se Nelson Rodrigues, gênio contestador, não aprovava o “complexo de viralata”, tampouco aprovaria qualquer “complexo de poodle” ou “complexo de pit bull”. Se tal retórica ficasse no contraste&lt;br /&gt;racial “vira-lata” x “com pedigree”, dir-se-ia que me atenho a um detalhe irrelevante frente à contribuição que já reconheci. Mas segue mais algo digno de nota, como convite a refletirmos melhor sobre a pertinência dos nossos meios (recursos retóricos), tendo em vista certo fim (ação social). O leitor atento notará o que digo, num trecho da Culturanja que cita Mariotti falando que em Portugal “trabalhador brasileiro é sinônimo de garçom ou peão de construção civil. Nossa única profissão exportável, mesmo assim não qualificada pela educação formal, é (...) a de futebolista”. É dizer que “garçom” e “operário da construção civil” (que ele mesmo, e não um europeu falando, nomeia pejorativamente “peão”) não são profissões no exterior, só “futebolista”, e olhe lá... Nessa concepção, parece que só se reconhece como profissões legítimas aquelas que supõem um diploma de curso superior, aqui privilégio de poucos. Sem entrar no problema da formação politécnica para o trabalho já no ensino médio, volto-me para o preconceito dessa metáfora do “servente” e do “garçom”. Pergunto: não há necessidade de alguém para servir na nossa sociedade, ou na sociedade ideal todos se servirão por si mesmos? Não há necessidade de alguém para construir na nossa sociedade, ou na sociedade ideal cada um construirá sua casa com as próprias mãos? Na sociedade ideal essas profissões serão substituídas por máquinas? Antes de cogitarmos tais utopias, não seria mais simples ganharem salários dignos sem precisar-se almejar até deixar o país para fazer o mesmo e viver bem? Nietzsche fala da “moral dos fortes” (de pedigree?), na qual a águia ataca naturalmente o cordeiro, e condena a dos “fracos” (vira-latas?) por serem ressentidos. Mas que seria se todos fossem águias? Que seria se todos os “vira-latas” tivessem “pedigree”? Não haveria mais razão em falar de “pedigree”! Seríamos fortes entre fortes e não haveria mais “grandes homens”, nem os “especiais”, as “celebridades”. Seríamos todos peões, obreiros, soldados, intelectuais e artistas num só ser. Contudo, nosso mundo, que não é de tal modo, não é construído só pelos ditos “grandes homens”. O mundo também é construído por quem trabalha na transformação da natureza, pela ação física, e não só discursiva como a minha. Lembrando uma das “Perguntas de um operário que lê”, de Brecht: “Quem construiu Tebas, a das sete portas? Nos livros vem o nome dos reis. Mas foram os reis que transportaram as pedras?” O mundo bem pode ser feito por pessoas simples, dignas e aguerridas, sem qualquer pedigree ou status adicional. Por um José carpinteiro e uma Maria a cuidar da casa e do filho, os quais, como na “Maria Maria” de Milton, sabem que “é preciso ter força. É preciso ter raça. É preciso ter gana sempre”. “Raça”, no sentido da canção, todos precisamos ter. Reconhecendo isso, talvez nossa auto-estima realmente se eleve.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7888604696228809116-1779954540036357782?l=ninhodesentidos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ninhodesentidos.blogspot.com/feeds/1779954540036357782/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7888604696228809116&amp;postID=1779954540036357782' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7888604696228809116/posts/default/1779954540036357782'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7888604696228809116/posts/default/1779954540036357782'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ninhodesentidos.blogspot.com/2008/03/preciso-ter-raa-no-pedrigree.html' title='É preciso ter raça,  não pedrigree...'/><author><name>Achilles Delari Junior</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00363322332993826154</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_mCNX4vGC2uc/Sx8y7-srPgI/AAAAAAAAAHM/CzCo559bAhQ/S220/Nova+Imagem.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7888604696228809116.post-1686591740783731574</id><published>2008-03-23T14:06:00.000-07:00</published><updated>2008-03-23T14:13:34.618-07:00</updated><title type='text'>Posso ajudar?</title><content type='html'>(A Tribuna do Povo, Umuarama, quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1987, ao entrar para o curso de psicologia na Universidade Federal do Paraná, um jovem ingênuo e idealista de Umuarama tinha dois objetivos ambiciosos e interligados. O primeiro era compreender a natureza da alma humana, o modo de funcionamento dos processos mentais, como quando era criança e gostava de desmontar relógios para ver como eram por dentro, curioso por entender como operavam. O segundo era poder, com base nessa compreensão, ajudar as pessoas a terem uma vida melhor, para que o mundo pudesse, desse modo, ser mais justo e solidário. Contudo, logo no primeiro dia de aula, ele recebe um balde de água fria, quando a professora, ao perguntar os motivos dos alunos para cursarem a faculdade, ouviu sua resposta. De cara, ela já sentenciou: “psicologia não ajuda ninguém, só mostra às pessoas que são elas que devem ajudar a si mesmas”. Mais tarde, acabaria constatando também que psicologia não explica a natureza da alma humana, pois há muitas psicologias e cada uma delas fala uma coisa diferente, às vezes opostas e inconciliáveis. Ainda faltavam dois anos para a queda do muro de Berlim, e quatro para a dissolução da União Soviética, mas a chamada “queda das utopias coletivas” já era evidente e a descrença na construção de processos de transformação social que nos levasse a uma sociedade justa, igualitária e solidária, reinava soberana. Antes de se pensar em perguntar “em que posso ajudar alguém?”, já era imperativo perguntar “em que posso me ajudar?” Sobretudo, na forma da pergunta “que vantagem posso levar?”. Todavia, como é que cada um de nós poderia aprender a ajudar-se se nunca tivéssemos antes o amparo de alguém: pais, família, professores, amigos? A origem social da nossa capacidade de ajudarmos a nós mesmos é esquecida por essa ideologia. Ainda assim, mesmo discordando da professora, com o tempo, algum ensinamento o jovem precisou tirar disso, dessa “queda das utopias”, embora talvez só o viesse a compreender melhor quando já não era mais tão jovem, tampouco ingênuo ou idealista. Seu próprio pai viria a lhe dizer, muitos anos mais tarde, com a sabedoria de quem já ajudou não só a si, mas também a várias pessoas de seu convívio: “para você poder ajudar os outros, tem primeiro que se ajudar”. Então já não era o mesmo que dizer ser impossível ajudar, mas sim que há uma prioridade. Estar-se bem, cuidar de si, estar forte, íntegro, saudável, para ter condições de cuidar de alguém, para transmitir força, contribuir para preservar a integridade de alguém, promover saúde. Entre o individualismo neoliberal de que “cada um só ajuda a si mesmo”, ou “cada um por si e Deus contra todos” (como diz o título de um filme alemão), e o altruísmo ingênuo e idealista de “ajudar o mundo a ser melhor”, talvez pudesse surgir assim um caminho intermediário. De fato, ao perguntar “em que posso ajudar?” pode haver algum resquício de prepotência: será que já se tem como pressuposto que alguma ajuda certamente se pode dar e assim resta ao outro apenas escolher “em quê”? Creio que hoje esse homem, já não mais jovem, tomando por prioridade o cuidado de si e dos que mais ama, ao voltar-se para o conjunto de suas relações sociais, venha a perguntar apenas, de um modo mais modesto e realista: “posso ajudar?”&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7888604696228809116-1686591740783731574?l=ninhodesentidos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ninhodesentidos.blogspot.com/feeds/1686591740783731574/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7888604696228809116&amp;postID=1686591740783731574' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7888604696228809116/posts/default/1686591740783731574'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7888604696228809116/posts/default/1686591740783731574'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ninhodesentidos.blogspot.com/2008/03/posso-ajudar.html' title='Posso ajudar?'/><author><name>Achilles Delari Junior</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00363322332993826154</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_mCNX4vGC2uc/Sx8y7-srPgI/AAAAAAAAAHM/CzCo559bAhQ/S220/Nova+Imagem.png'/></author><thr:total>2</thr:total></entry></feed>
